quarta-feira, 11 de outubro de 2023

PROFESSORA ROMILDA MEDEIROS


          Ontem completou um mês do falecimento da Professora Romilda Maria Cabral de Medeiros. Filha de romeu Afonso de Medeiros e Rita Cabral de Medeiros, nascida as doze horas e trinta minutos, do dia 18 de julho de 1937, na Praça da Matriz, nº 17, atual Praça Coração Eucarístico.
            Foi batizada pelo Padre Tarcísio Falcão, no dia 15 de agosto de 1937, dia em que é comemorado a Assunção de Nossa Senhora, na Matriz de Sant'Ana, tendo como padrinhos José de Melo e Maria Cabral de Melo.
           Formada pela Academia Santa Gertrudes de Olinda, a Professora Romilda Medeiros, ficará marcada na memória dos catendenses como a maior referência na educação, quando contribuiu imensamente por décadas com a formação de gerações de catendenses, ensinando história, português e matemática, no Ginásio Municipal (de onde também foi diretora), Costa Azevedo e Santa Terezinha.
          Mas foi na disciplina de Língua Portuguesa que ela se destacou como "mestra", deixando marcado na lembranças dos seus eternos alunos, sua frase: "o Português é muito bonito".
          Também foi uma grande colaboradora da Matriz de Sant'Ana, quando participou da Cruzada Eucarística, quando era criança e posteriormente no Apostolado da Oração e do Movimento Mãe Rainha. Foi ainda secretária da Prefeitura de Catende no governo de Josibias Cavalcanti.
          A inesquecível professora, faleceu na capital pernambucana, no dia 10 de setembro de 2023, sendo sepultada no cemitério Memorial Guararapes, no dia do aniversário de emancipação política do seu querido município de Catende.

 


quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Centro Operário de Cultura Leão XIII - 82 anos de fundação

 


Tudo começou em 1941, quando o coletor estadual Jaime Albuquerque, recém-chegado à Catende, percebendo que escassa a prática de esportes, teve a ideia de criar um time de futebol.

Dessa forma, Jaime falou do seu desejo com Pelópidas Soares, que de imediato aprovou a ideia e em pouco, tempo mais catendenses foram aderindo, dentre eles o então prefeito Álvaro Lins e o Promotor Público da recém-criada Comarca de Catende, Melquiades Montenegro, a Usina Catende, também viu tudo com bons olhos.

Com isso, foi organizada uma reunião na sede R.C.A – Rádio Cultural Artística, localizada, na Rua Bela Aurora, com a presença de vários operários da Usina Catende e pessoas da sociedade, entre elas Manoel Soares, Melquiades Montenegro, Manoel de Barros, João Candido, Pelópidas Soares, Sebastião Félix e Diocleciano dos Santos. Dessa forma, foi fundado no dia 13 de setembro de 1941, uma nova organização cultural no município.

Jaime expôs sua ideia de criação de uma associação que não cuidasse apenas de futebol, mas também de estudos sociais, aceita por todos os presentes, ficou acertada a contribuição semanal por parte dos sócios, o valor de 100 reis. Mais adiante, voluntariamente, todos concordaram em contribuir com 200 reis.

Manoel Soares sugeriu que o centro esportivo cultural, fosse chamado Centro Operário de Cultura e Melquiades Montenegro, acrescentou Leão XIII em homenagem ao Papa autor da Encíclica Rerum Novarum, ficando a denominado Centro Operário de Cultura Leão XIII”, com o objetivo de desenvolver intelectualmente os jovens e os operários de Catende, ensinado noções de moral, religião, medicina e educação física.

Seu primeiro presidente foi o serralheiro mecânico e chefe das oficinas da Usina Catende, Manoel de Barros e Silva, tendo Jaime Albuquerque como Diretor de Desportos e Técnico do Time, até março de 1952, quando passou a direção para Teobaldo. O “Leão XIII” funcionava em uma casa na Rua da Saudade, 87, com reuniões regulares e uma biblioteca, chegando a ser (registrada no Instituto Nacional do Livro, sob o nº 4.924, em maio de 1952), além de serviços médicos gratuitos para seus associados.

Nos primórdios, os jogos eram realizados no “Campo da Saudade”, localizado na mesma rua, tendo seu muro construído em 1945.

Em comemoração ao 5º aniversário de fundação do Centro, no dia 13 de setembro de 1946, foi lançada a pedra fundamental da construção da sua sede. A partir de 1947, o Leão XIII, podia enfrentar qualquer time do interior de Pernambuco e da capital, pois encontrava-se filiado à Federação Pernambucana de Desportos (FPD).

A inauguração de sua sede social aconteceu no dia 1º de maio de 1948, um majestoso prédio, doado pelo Sr. Antonio Ferreira da Costa Azevedo, O Tenente. Grande festa houve em Catende neste dia, missa, desfile das escolas, do Centro dos escoteiros e da Filarmônica Catendense que tocou o hino do Leão XIII, também ocorreram várias girândolas, discursos e um baile.

A fita simbólica foi cortada pela Sra. Maria de Lourdes da Costa Azevedo, esposa de João da Costa Azevedo, abrindo as portas da nova sede aos operários de Catende. A sede foi benta pelo vigário da paróquia, padre Antonio de Barros.

Em 1949, a arrecadação semanal do Leão XIII”, era em média 800 a 900 cruzeiros, sendo descontado 1 cruzeiro por associado. Dessa arrecadação, era feito o pagamento ao gerente, zelador da sede e do campo, prêmios aos jogadores, promoção de festas e jogos, como também a compra de materiais desportivos.

Com a morte do “Tenente” em março de 1950, o “C. O. C. Leão XIII” prestou uma justa homenagem ao seu grande benfeitor, na ocasião da inauguração do Salão Nobre do Clube, onde foram colocadas fotografias de Antonio Ferreira da Costa Azevedo e do seu patrono, o Papa Leão XIII. Também o Campo da Saudade, passou a ser chamado “Estádio Costa Azevedo”.

Ao longo dos anos, o “Leão XIII” organizou vários concursos, como o Miss Beleza e Miss Primavera. No assunto futebol, foi um verdadeiro sucesso.

O time do “Leão XIII” sempre teve, em seus quadros, grandes jogadores, entre eles “Tamborete”, Teobaldo, que também foi goleiro do Náutico e do Santa Cruz por onde foi campeão pernambucano em 1946, “Lú”, Abdoral, Nelson, Geraldo e Everaldo, este último, nasceu em Catende, no dia 11 de junho de 1949, depois de jogar no Leão XIII, jogou no São Paulo-SP, onde foi campeão paulista em 1970 e 71 e vice campeão brasileiro em 1971; Bahia-BA; Barcelona do Equador; Atlético-PR; Valência da Venezuela; Operário-MS; Grêmio-RS; Atlético-MG, onde foi campeão mineiro em 1978 e Comercial-RS, faleceu no dia 20 de janeiro de 2001, em Ponta Porã-MS.

Em épocas áureas, recebeu, em dezembro de 1954, uma numerosa delegação do Clube Náutico Capibaribe, a partida de futebol foi realizada no dia 15, daquele mês, tendo, como preliminar, uma disputa entre os cronistas recifenses e o time de veteranos local, que terminou com a vitória dos cronistas por 2 x 1. O jogo principal foi marcado pelo equilíbrio do time alvirrubro e do “Leão XIII”, que incentivado pela torcida local, conseguiu empatar, a partida que terminou 2 x 2.

Nas décadas de 1940 e 1950, além de jogar com os times locais e vários times do interior de Pernambuco, jogou, várias vezes, com o Santa Cruz, Náutico e Sport. Jogou, ainda, com o “Treze de Campina Grande” e o “Madureira”, do Rio de Janeiro, entre outros.

Foi o primeiro Campeão de Futebol das Usinas de Pernambuco, em 1958.

A partir da segunda metade da década de 1960, aquele que foi considerado o bicho papão do interior e que tinha projetado o nome de Catende no futebol pernambucano, entrou em crise e começou a perder sua fama e prestígio.

Em junho de 1985, a Usina Catende doou, ao C.O.C. “Leão XIII”, a sua sede; o terreno; como, também, o terreno e as benfeitorias da quadra de esportes, sendo Presidente, na época, Hélio Luiz F. Galvão.

Atualmente, o clube possui uma quadra de esportes, piscinas, sauna e o Estádio de Futebol “Antiógenes Chaves”, localizado no Bairro da Nova Catende, com capacidade para 1.200 espectadores.


                                

                                

                            

                            

sábado, 2 de setembro de 2023

Usina Catende e Cine Teatro Diamante


            Hoje, estamos recordando os 131 anos de fundação da Usina Catende - 02/09/1892 e os 65 anos de inauguração do Cine Teatro Diamante - 02/09/1958.

Construída pelo inglês Carlos Sinden, em sociedade com seu sogro, Felipe Paes de Oliveira, ambos proprietários do Engenho Catende e outros engenhos da região. A usina teve como nome inicial, “Usina Correia da Silva”, em homenagem a José Antônio Correia da Silva, que assumiu o governo de Pernambuco em 23 de outubro de 1890. À Usina Catende, foram incorporados os Engenhos Catende, Ouricuri e Niterói, pertencentes a Felipe Paes de Oliveira, e Monte Alegre, Granito, Permanente, Bela Aurora, Gameleira, Gameleirinha e Barro Vermelho, que eram de propriedades de Carlos Sinden.

Quando teve início a assinatura de decretos para concessão de empréstimos, tendo, como objetivo, a fundação de usinas, um desses documentos, assinado em 24 de março de 1891, foi outorgado à Usina Catende, que estava em construção. Com contrato lavrado, no Tesouro, em 3 de abril do mesmo ano, foi concedido empréstimo, em apólices de emissão especial, para fundação de engenhos-centrais, a juros de 7% ao ano, no valor de 250.000$000 (duzentos e cinquenta contos de réis).

A Usina Catende teve a sua primeira moagem no dia 2 de setembro de 1892, quando suas ferragens foram bentas pelo Pe. Sebastião Bastos (Vigário de Palmares). 

O nome “Correia da Silva”, assim como a Usina não tiveram sucesso, sendo esta sempre chamada pelo nome de Catende, devido ao nome do Engenho onde foi montada. Naquela época, dentre as usinas enumeradas pelo Estado de Pernambuco, deixaram de cumprir com seus compromissos as seguintes Usinas: Coelho, Lustosa, Guerra e Correia da Silva. Mas, as garantias cobriam o valor dos débitos. Em pouco tempo, a Usina se mostrou um verdadeiro fracasso, obrigando os seus fundadores a entregá-la aos credores, tendo, o Banco de Pernambuco, como o seu maior credor. 

Em 1896 a Usina foi adquirida por Joaquim José Coimbra. Em 1905, passa a ser propriedade da firma “Mendes Lima & Cia”, representada por Joaquim Lima de Amorim, que, em 1912, a reformou completamente, elevando a capacidade de moagem de 200 para 1.000 toneladas diárias. Para o transporte da matéria-prima, existiam cerca de 16 km de via férrea, servida por três locomotivas. 

O grupo “Mendes Lima & Cia” era formado por comerciantes, e só lhes interessava vender o açúcar e não fabricá-lo. Então, negociaram com um grupo de usineiros, sendo a Usina adquirida por “Costa, Bandeira & Cia.”, firma que faziam parte: “Herculano Bandeira & Cia” (proprietários da Usina Mussurepe); “Bandeira & Irmãos” (proprietários da Usina São José); “Oliveira & Irmão” (consignatária de açúcar de várias usinas de Pernambuco); e “A. F. da Costa Azevedo”. Para dirigir a Usina, foi escolhido Antônio Ferreira da Costa Azevedo, proprietário, na época da Usina Santa Rita, na Paraíba. 

            Em 1923, com a saída da primeira firma da sociedade, continuaram as duas últimas, com a razão social de “Costa Oliveira & Irmão”, em 4 de março de 1927, o Tenente adquiriu a parte dos demais sócios e assumiu sozinho a direção da Empresa, sob a firma “A. F. da Costa Azevedo”, tornando-se, assim, o único proprietário da Usina Catende. Foi aí que começou a era de renovação e progresso da Usina Catende. 

        Em 1929, a Usina passou a ser considerada a maior do Brasil, em produção e capacidade, possuindo 43 propriedades agrícolas, uma via férrea de 140 Km, 11 locomotivas e 266 vagões. Em setembro de 1933, surgiu a sociedade anônima formada em família, Usina Catende S.A. Seu sistema técnico administrativo foi uma verdadeira revolução em toda a zona canavieira da mata sul de Pernambuco, o que fez várias usinas de açúcar tentarem implantar seu sistema.

A maioria dos gerentes das usinas procurava Ismael Silva (Sr. Santino), em busca de informações, principalmente do sistema de irrigação. Nas terras da Usina, foi construída uma usina hidrelétrica, projetada por Apolônio Sales (que, depois de trabalhar em Catende, foi Secretário de Agricultura de Pernambuco, Ministro da Agricultura do Governo Vargas e engenheiro da Barragem de Paulo Afonso), a fim de garantir a energia para a Usina. A Usina tinha 3 ternos de moendas Fletecher, que foi complementada, em 1948, com mais 2 ternos, movidos com máquinas a vapor, transformando-se, na época, nas maiores moendas do parque açucareiro nacional. A partir daí, a Usina Catende sempre se manteve como a de maior safra do país. 

Foi, também, a Catende quem implantou a primeira destilaria de álcool anidro do Brasil, em 1936, construída sob a supervisão do químico Brito Passos.

            Após a morte de Antônio Ferreira da Costa Azevedo, em 1950, a Usina Catende possuía uma capacidade industrial para fabricação de 1 milhão de sacos de açúcar, uma destilaria de álcool anidro, 36 mil hectares de terra, 165 Km de estradas de ferro, 25 locomotivas a vapor e 82 engenhos de cana de açúcar. Assumiu a direção, o seu filho mais velho, João da Costa Azevedo, sendo, depois, eleito Presidente da empresa, permanecendo até maio de 1965, quando renunciou à presidência da sociedade. Foi durante sua gestão que a Usina Catende absorveu a Usina Piranji e seus dez engenhos. Na safra de 1950/51, a Usina Catende produziu 642.857 sacos, sendo a maior produção do Estado. Na safra de 1955/56, produziu 866.277 sacos.

            De 1950 até 1959, a Usina Catende sofreu as mais radicais reformas, pois quase toda sua ferragem antiga foi substituída por ferragem nova. Conseguindo quase dobrar a produção de açúcar e quase triplicar a produção de álcool, pois a antiga destilaria foi reformada e ampliada, suas dornas de fermentação foram substituídas por novas unidades. Com suas oficinas mecânicas, a Usina tornou-se, praticamente, autossuficiente no suprimento de peças mecânicas das mais variadas, também uma nova e moderna fundição, onde até os tambores de moenda que, a cada dois anos precisavam ser substituídos, eram ali mesmo fundidos, e, em seguida, usinados e eixados. Outra oficina cuidava em atender o material ferroviário da Usina: locomotivas, carros de transporte de cana, carros de inspeção da linha férrea e os da administração. A oficina principal, chamada de oficina geral, servia aos trabalhos de reforma e de manutenção da Usina.

            Na safra de 1960/61, sua produção de açúcar subiu para 937.508 sacos. Continuando, ainda, como a maior de Pernambuco. Na safra 1965/66, a Usina produziu 871.688 sacos. A Usina Catende perdeu a primeira colocação em produção de açúcar na safra 1969/70, quando a Central de Barreiros produziu 1.000.833 sacos, enquanto a Catende produziu 955.502 sacos. Na safra de 1970/71, a Usina Catende produziu 915.451 sacos, vencendo a Central de Barreiros por uma margem de 49 sacos, voltando a ocupar o primeiro lugar.

Em julho de 1973, a Usina foi adquirida por um grupo formado por Rui Carneiro da Cunha (coproprietário da Usina Massauassu), Alfredo Maurício de Lima Fernandes (representando os acionistas que estavam negociando a Usina Mussurepe) e Mário Pinto Campos (representante do Sindicato dos Produtores de Açúcar e Álcool de Pernambuco). Este último, alguns anos depois, vendeu sua parte, na sociedade para Inaldo Pereira Guerra (comerciante de açúcar em Recife e criador de gado no Município de Gravatá).

            Sob a nova direção, a Usina Catende, na safra de 1975/76, produziu 966.550 sacos de açúcar; cinco anos depois, na safra 1980/81, a Usina atingiu a produção de 1.334.130 sacos. Na safra 1983/84, a Usina produziu 1.555.220 sacos. Acima de 1 milhão de sacos de açúcar, 16 usinas ultrapassaram esse nível de produção, sendo que, acima da Usina Catende, se classificaram a Usina Pumaty, com 1.888.100; Petribú, com 1.761.238; Trapiche, com 1.732.361; Olho d’Água, com 1.649.143 sacos;  e Cucaú, com 1.569.230.

Assim como várias usinas do Nordeste, a Catende entrou em crise, junto com o fracasso do Pró-álcool e o fechamento do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), no final da década de 1980. A situação se agravou em 1993, quando foram demitidos 2.300 trabalhadores dos engenhos. Antes disso, a Usina Catende tinha mudado sua razão social para Companhia Industrial do Nordeste Brasileiro. Continuando a pertencer ao mesmo grupo, tendo, como Diretores-Presidentes Rui Carneiro Cunha, Inaldo Pereira Guerra e Maurício Fernandes; e, como superintendente, Raul Bandeira Fernandes, Diretores-Adjuntos Marcelo de Holanda Guerra, Ricardo de Holanda Guerra, José Henrique Carneiro da Cunha e José Maurício Carneiro da Cunha.

Em 17 de maio de 1995, os trabalhadores solicitaram a falência da Usina. “A falência foi motivada pelas dívidas que a empresa vinha acumulando. Só com tributos federais, estaduais, INSS, FGTS, Banco do Brasil e fornecedores, eram R$ 660 milhões. O passivo trabalhista chegou a R$ 550 milhões. Enquanto isso, o patrimônio da Usina só chegava a R$ 60 milhões.” Os trabalhadores pediram a falência com o objetivo de retirar o controle administrativo dos usineiros, alegando que os mesmos estavam destruindo o patrimônio da Usina. O Banco do Brasil, como maior credor, passou a administrar a massa falida, nomeando o Sr. Mário Borba como síndico. Mas, em pouco tempo, o Banco resolveu renunciar. Mário Borba continuou como síndico, desta vez, nomeado pela Justiça e indicado pelos trabalhadores.

Em 1998, foi criada a Companhia Agrícola Harmonia, hoje denominada “Catende Harmonia”, que, apesar de ter estatuto, ata e registro na Junta Comercial, continuou, apenas, no papel, para, quando fosse encerrado o processo de falência, a Justiça passou o patrimônio à Companhia. Porém, era esta empresa que vinha administrando a Usina. Seu patrimônio envolvia um parque industrial; uma hidroelétrica que gera energia própria; uma olaria; uma marcenaria; 48 engenhos; um hospital; sete açudes e canais de irrigação; 26 mil hectares de terras; uma frota de veículos e implementos, entre tratores, caminhões e enchedeiras; rede ferroviária, à margem da empresa; e uma bacia hidrográfica, com vários rios perenes.

“Os trabalhadores e a administração judicial concluíram a primeira safra superavitária depois da falência, após anos de sacrifícios e dificuldades, em 1999.” Ainda em 1999, a Usina ganhou o “Prêmio Abrinq”, por ter erradicado o trabalho infantil de suas terras. “A safra de 1999/2000, fechou sem dívida e com estoque de 180 mil sacos de açúcar.” A enchente que castigou a Mata Sul, em agosto de 2000, destruiu máquinas e equipamentos da Usina. Em 2002, a Usina sofreu novo prejuízo, desta vez vítima de um incêndio, causado por um curto-circuito. Cerca de 300 trabalhadores que estavam na Usina iniciaram o controle do fogo. As chamas foram apagadas duas horas e meia depois, com a ajuda de 14 homens do Corpo de Bombeiros e dois helicópteros (um dos bombeiros e, outro, da Secretaria de Defesa Social). Foram usados mais de 20 mil litros de água. O fogo destruiu um galpão de 600 metros quadrados, onde estavam quatro geradores.

As dificuldades financeiras, agravadas pela enchente e o incêndio, que juntos deram um prejuízo de, aproximadamente, R$ 11 milhões, fizeram com que a Usina vendesse o açúcar, antecipadamente, aos intermediários (perdendo de 5 a R$ 6 milhões por safra). Em 2002, receberam R$ 17,00, por saca, que entregaram quando o preço de mercado chegou a R$ 53,00. Também foi síndico da Usina Catende, Marivaldo da Silva Andrade, Carlos Antônio Fernandes Ferreira e o atual é José Luiz Lindoso da Silva.

Com as enchentes que atingiram a Mata Sul do Estado de Pernambuco, nos anos de 2010 e 2011, a Usina Catende, também foi vítima da inundação.

Hoje, restam apenas as duas chaminés daquela que já foi a maior usina da América Latina.



              No passado, com o desenvolvimento de Catende, logo se fez necessária a construção de um novo e moderno Cine Teatro. E foi assim que, no dia 2 de setembro de 1958, foi inaugurado, pela Usina Catende S.A., o “Cine Teatro Diamante”, que recebeu este nome em homenagem ao engenho onde o Sr. Antonio Ferreira da Costa Azevedo, iniciou suas atividades profissionais e local de nascimento do seu primeiro filho, João da Costa Azevedo, também primeiro prefeito de Catende. Construído na Praça Costa Azevedo, no local do antigo Catende Hotel, com capacidade para 1.321 espectadores, era equipado com projetores de última geração, importados da Holanda. 

            No dia de sua inauguração, foi exibido o filme “Melodia Imortal”. Tinha uma média anual de 120 sessões e 46.010 espectadores. 

                Foi desativado na década de 1980.

           No dia 27 de novembro de 2000, pela Lei Municipal n. 1.348/2000, o antigo Cine Teatro Diamante, ficou denominado de Centro de Cultura “Romeu Afonso Medeiros”.






 

terça-feira, 29 de agosto de 2023

103 anos da chegada de Antonio Ferreira da Costa Azevedo


No dia 29 de agosto, completa 103 anos da chegada de ANTÔNIO FERREIRA DA COSTA AZEVEDO.

Nascido no Engenho Trapuá, Nazaré da Mata, no dia 16 de fevereiro de 1882. Era filho de Domingos Ferreira de Souza Azevedo e Josefa Maria de Souza Azevedo. Casou-se em 1904, com Ana Malta da Costa Azevedo, com quem teve oito filhos: João da Costa Azevedo, Maria José de Azevedo Chaves, Domingos da Costa Azevedo, Maria Dolores de Azevedo Moura, Maria Amélia (estes três últimos, nasceram de parto trigêmeo, sendo que Maria Amélia faleceu), Juraci Azevedo da Costa Azevedo Figueiredo, Helena Azevedo de Brito Passos e Pedro da Costa Azevedo.

            Passou parte de sua infância no Engenho onde nasceu. Desde pequeno, recebeu o apelido de “Tenente”, pois, quando criança, nas brincadeiras, só queria ser Tenente. Pouco se importava com os estudos, e, imediatamente deixou o colégio, para assumir a função de encarregado, no Engenho do seu pai, aos quatorze anos de idade. Em 1900, arrendou o Engenho Diamante, do seu cunhado e primo, João Antônio da Costa Azevedo, onde safrejou por oito anos. Depois, arrendou o Engenho Camarazal, onde permaneceu até 1913. Com as economias que fizera em Camarazal, comprou o Engenho Utinga, pertencente ao município de São Lourenço da Mata-PE, cheio de matas, onde, durante quatro anos forneceu lenhas a “Great Western”. Com os lucros dessa atividade, comprou o Engenho Rodízio, e começou a fornecer canas à Usina Mussurepe.

            Em 1917, vendeu o Engenho Rodízio e comprou a Usina Santa Rita (antiga Cumbe), na Paraíba, por 480 contos e fazia dois anos que não moía devido a uma enchente. Reformou a Usina, ampliou o plantio de cana, drenou áreas encharcadas e aparelhou toda a indústria, moendo, com sucesso, durante cinco anos. Nesse período, aumentou as linhas férreas, comprou locomotivas e fez outros melhoramentos. Vendeu a Usina Santa Rita por 2 mil contos, para voltar para Pernambuco, quando comprou, em sociedade, a Usina Catende, ao grupo “Mendes Lima & Cia”.

            Chegando a Catende no dia  29 de agosto de 1920, tomar posse da Usina como sócio gerente. Em 1923, com a saída da primeira firma da sociedade, continuaram as duas últimas, com a razão social de “Costa Oliveira & Irmão” e em 4 de março de 1927, o Tenente adquiriu a parte dos demais sócios e assumiu sozinho a direção da Empresa, sob a firma “A. F. da Costa Azevedo”, tornando-se o único proprietário daquela que viria a ser considerada a maior Usina da América do Sul, em produção e capacidade, possuindo 43 propriedades agrícolas, uma via férrea de 140 Km, 11 locomotivas e 266 vagões. Em setembro de 1933, surgiu a sociedade anônima formada em família, Usina Catende S.A. Seu sistema técnico administrativo foi uma verdadeira revolução em toda a zona canavieira da mata sul de Pernambuco, o que fez várias usinas de açúcar tentarem implantar seu sistema.

            A maioria dos gerentes das usinas procurava Ismael Silva (Sr. Santino), em busca de informações, principalmente do sistema de irrigação. Nas terras da Usina, foi construída uma usina hidrelétrica, projetada por Apolônio Sales (que, depois de trabalhar em Catende, foi Secretário de Agricultura de Pernambuco, Ministro da Agricultura do Governo Vargas e engenheiro da Barragem de Paulo Afonso), a fim de garantir a energia para a Usina.A Usina tinha 3 ternos de moendas Fletecher, que foi complementada, em 1948, com mais 2 ternos, movidos com máquinas a vapor, transformando-se, na época, nas maiores moendas do parque açucareiro nacional. A partir daí, a Usina Catende sempre se manteve como a de maior safra do país. Foi, também, a Catende quem implantou a primeira destilaria de álcool anidro do Brasil, em 1936, construída sob a supervisão do químico Brito Passos.

       O Tenente tornou-se o grande benfeitor e amigo da pequena Vila de Catende. Idealizou a construção de uma usina hidrelétrica, que passou a fornecer eletricidade para as casas dos funcionários residentes na Vila, passando a ter energia 24 horas, quando, pela termelétrica existente, eram, apenas, cinco horas por dia. Anualmente, após o balanço, distribuía uma gratificação aos funcionários. 

            Criou, em Catende, uma espécie de casa da moeda, passando a imprimir “dinheiro”, em cédula de diversas cores, no valor de 200, 500, 1000 e 2000 réis, o “Gabão”, como era conhecido, chegou a recebido em preferência ao dinheiro nacional.

Quando soube que muitos de seus funcionários não eram casados na Igreja, viabilizou a realização de casamentos coletivos no pátio da Usina. 

A partir de 1926, mandou demolir a velha Rua do Triângulo, na Vila Operária, com 39 casas de taipa, e, em substituição, mandou edificar a Rua Siqueira Neto, com 31 casas, e, a Rua 30 de Março, com 21 casas, todas de alvenaria. Em seguida, mandou demolir as velhas Ruas da Levada e do Coqueiro, construindo as Ruas Maximiano Germano de Souza e Augusto Antônio, ambas com 20 casas, cada uma. Depois, no lugar da Rua do Cercado, que tinha 10 casas, construiu a Rua Francisco Ferreira, com 20 casas. Mais tarde, outras ruas foram construídas: Antônio Porto, com 20 casas; Vila Engenheiro Molin, com 90 casas; Rua do China, com 15 casas, em substituição às Ruas do Limão e do Zinco, com 15 casas cada uma. Também, mandou construir diversas casas para os empregados e o prédio da Prefeitura, com o qual gastou, Cr$ 120.000,00, sem levar em conta o material empregado, fazendo doação ao Município. 

Construiu, também, a Policlínica “Gouveia de Barros”, o Lactário, Postos de Puericultura, Postos de Saúde, nos engenhos; o Núcleo dos Escoteiros; distribuição de gêneros alimentícios aos trabalhadores, pelo preço de custo (SODECO), as sedes do Aero Clube, atual Catende Clube e do Centro Operário de Cultura “Leão XIII”, como, também, reformou e ampliou a antiga Capela de Santana, também construiu e doou o prédio do Colégio “Santa Teresinha”.

            Sempre preocupado com a assistência social, dedicou especial atenção aos Ensinos Primário e Profissionalizante, preparando aqueles que seriam seus futuros operários. Construiu o Grupo Escolar “Herculano Bandeira”, no centro da Cidade, e as seguintes escolas: “Amauri de Medeiros”, no Engenho Ouricuri; “Rui Barbosa”, no Engenho “Bomborel”; “José Mariano”, no Engenho Bálsamo; “Marcílio Dias”, no Engenho Campinas; “Manoel Borba”, no Engenho Capricho; “Dantas Barreto”, no Engenho Curupaiti; “Martins Júnior”, no Engenho Souza; “José Maria”, no Engenho Venturoso; “Manoel Pinheiro”, no Engenho Espírito Santo; “Joaquim Nabuco”, no Engenho Planqueta; “Oliveira Lima”, no Engenho Piragibe; “José Bezerra”, no Engenho Santa Cruz; “Barbosa Lima”, no Engenho Tabaiaré.

O Tenente também batalhou em defesa dos operários e dos trabalhadores rurais da Usina Catende. Quando, na época, existia, na zona rural, o famoso “barracão”, que vendia as mercadorias ruins por um preço alto, teve a iniciativa de impedir esse abuso contra o trabalhador, criando um Departamento Comercial, na Usina, com a finalidade de oferecer produtos de boa qualidade e com preços mais baixos para os operários. O lucro obtido pelo Departamento Comercial era destinado às obras sociais mantidas pela Usina.

              Costa Azevedo foi, ainda, o organizador da Sociedade Nordestina de Comércio Ltda, das Novas Indústrias Olinda S.A. e Fazendas Reunidas “Santa Helena”, todas em Pernambuco, como, também, a Sociedade Agropecuária Tamburi, na Bahia, além de outros empreendimentos. 
            Quando o “Tenente” adoeceu, em homenagem ao seu benfeitor, Catende não festejou o carnaval de 1950. E, na madrugada do dia 20 de março do mesmo ano, faleceu em sua residência, à Avenida Rosa e Silva, na capital do Estado de Pernambuco.
 

terça-feira, 22 de agosto de 2023

João da Costa Azevedo


No último dia 18, completou 38 anos do falecimento de João da Costa Azevedo. 

Nascido no dia 7 de novembro de 1904, no Engenho Diamante, em Nazaré da Mata-PE. Filho de Antônio Ferreira da Costa Azevedo (Tenente da Catende) e Ana Malta da Costa Azevedo. Em 1928, foi eleito o primeiro Prefeito de Catende, pelo Partido Republicano de Pernambuco. Formou-se em Direito em 1936, pela Faculdade de Direito do Recife. 

Casou-se, em 1944, com Maria de Lourdes Colaço Ferreira, com quem teve os seguintes filhos, Maria Ferreira, João da Costa Azevedo Filho, Martha Ferreira, Maria de Lourdes e Domingos Ferreira da Costa Azevedo.

            Após a morte de seu pai, ocorrida em 1950, exerceu, durante dois anos, a função de Diretor da Usina Catende, sendo, depois, eleito Presidente da mesma. 

            Durante o período em que permaneceu à frente da Usina, ocorreu a absorção da Usina Pirangi, que foi reequipada, e sua produção foi de 85.625 sacos de açúcar. Essa incorporação ajudou a fortalecer, ainda mais, a Usina Catende. Também, foi durante a sua administração que, a capacidade da Destilaria de Álcool Anidro, foi aumentada de 30 para 40 mil litros e instalado outro aparelho destilador. 

            Em maio de 1965, apesar de ter sido reeleito para a presidência da sociedade, entregou uma carta de renúncia, não assumindo o cargo para o qual foi reeleito. O motivo teria sido os diferentes pensamentos sobre a forma de administração da Usina, por parte dos demais sócios. Preferindo assim, renunciar, ficando apenas, como sócio até 1973, quando a Usina foi vendida. 

                Faleceu no dia 18 de agosto de 1985;

 

sexta-feira, 11 de agosto de 2023

GINÁSIO MUNICIPAL “JOSÉ EUGÊNIO CAVALCANTI” – 74 ANOS

 



 

Com o crescimento da população e o rápido desenvolvimento de Catende, a grande necessidade na época era a continuação gratuita do Curso Primário, e foi através da Lei n.º 48, de 11 de agosto de 1949, sancionada pelo prefeito José Eugênio Cavalcanti, que foi criado, o “Ginásio Municipal de Catende” que hoje o tem como patrono. Porém o Ginásio Municipal de Catende, só se tornou realidade em 1953, devido ao desejo do prefeito João Calu do Nascimento e os esforços de Pelópidas Soares, na época vereador e do Professor Edgar Brito de Almeida.

           Formado o corpo docente, ficou assim constituído: Português, José Estevão de Oliveira; Francês, Dr. Ernesto Caricio de Gouveia; Matemática, Dr. Hélio Vidal de Freitas; Latim, Pe. Egídio Van Will; História do Brasil, Dr. Wilmar Mayrinck; Geografia Geral, Edgar Brito de Almeida; Desenho, Maria Augusta Wanderley Rocha; e Trabalhos Manuais, Beraniza Felipe da Silva.

            Em fevereiro de 1954, foi realizado o exame de admissão, que teve 65 candidatos. O Ginásio foi instalado, oficialmente, no dia 15 de março de 1954, pelo prefeito João Calu do Nascimento e funcionou provisoriamente, à noite no prédio do Grupo “Farias Neves Sobrinho”.

No dia 22 de dezembro de 1957, realizou-se a conclusão da sua primeira turma, quando foram homenageados: Dr. João da Costa Azevedo, Paraninfo; Dr. Lael Feijó Sampaio, Patrono; Prefeito José Eugênio Cavalcanti, Honra ao Mérito; Prof.º Edgar Brito de Almeida (diretor do Ginásio Municipal), Homenageado de Honra; Dr. Albérico do Rego Barros, José Soares da Silva (diretor do Correio de Catende) e vereador Pelópidas Soares, Homenagem Especial; professores: Ernesto Caricio de Gouveia, Josibias Darcy de Castro Cavalcanti, Mário Alves de Souza Melo, Maria Augusta Wanderley Rocha, Zilda Carneiro Viaro e Teresinha de Jesus Barros Lobo, Preito de Gratidão.

Sendo concluintes: Adhemar da Silva Mendonça, Agenor da Silva Mendonça, Amaro Soares da Silva (orador), Edgar Bezerra de Morais, Edvaldo José Wanderley Rocha, Jaaziel Gonzaga da Silva, João Alves Bezerra, João Rodrigues da Silva, Paulo Rogério de A. Melo, Jocelino de Sousa Ribeiro Júnior, José Augusto de Albuquerque Maranhão, José Francisco de Lima, Leda de Albuquerque e Silva, Maria América Silva Mendonça, Maria Consuelo Carneval, Maria Rosa Lins, Milton Luna Feijó de Melo e Vanilde Ferreira de Melo.

Após o falecimento do Sr. José Eugênio Cavalcanti, ocorrido em 28 de fevereiro de 1970, através da Lei 714/1970, aprovada por unanimidade pelos vereadores da época, o Ginásio Municipal de Catende, passou a ser chamado Ginásio Municipal “José Eugênio Cavalcanti”. Em 1971, suas instalações foram reformadas e aumentadas para 15 salas de aula, pelo prefeito Josibias Darcy de Castro Cavalcanti, filho do seu patrono.

          Inicialmente seu fardamento era nas cores caqui e azul, depois passando para as cores verde e branco, que durante muito tempo foi motivo de orgulho para muitos catendenses. Hoje seu fardamento segue o padrão do fardamento escolar da rede municipal de ensino.

 Entre seus diretores(as) passaram nomes como Edith Furtado Marinho (primeira diretora), Dr. Wilmar Mayrinck, Berta Mayrinck, Edgar Brito de Almeida, Maria Augusta Wanderley Rocha, Fernanda Lúcia de Lima e Silva, João Bosco Leitão de Melo, Romilda Maria Cabral de Medeiros, José Pedro Soares Lira, Silas Campos de Oliveira, Josefa Souza Neves da Silva, Sebastião Bacalháo de Barros Lobo Neto, Aracy de Vasconcelos Gama e Teresinha Porto de Azevedo.

 

Letra e música: Josibias Darcy de Castro Cavalcanti

 

            Proclamemos mocidade!

            Mocidade Estudantil;

            Que lutamos na verdade,

            Contra a ignorância hostil.

 

            Refrão: Louros, troféus conquistemos!

                        Nosso estandarte fitemos!

                         Tendo o livro a mão cintilante,

                         Combatamos, unidos avante!

                         Oh, Que ventura estudar!

                         Oh! Que delícia aprender!

                         Se na vida nos falta o saber,

                         Às armas todos... lutar!

 

            Pais e Mestres reunidos

            Mais alento nos trarão;

            Nossos brios denegridos

            Eles não consentirão.

 

            Refrão: Louros, troféus conquistemos! ...







sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Jornal "Catende em Foco"




     

            Surgiu neste mês de agosto em Catende, o jornal digital "Catende em Foco", com 23 páginas, idealizado pelo catendense Fábio Santana, tendo como designer gráfico, Carlos André, jornalista responsável e redator-chefe, Jénerson Alves.

Fábio Santana, é um incansável batalhador da imprensa catendense, tendo já publicado os jornais impressos no município, “Catende em Tempo” ; “A Gazetinha”; “Folha de Notícia”; “A Gazeta”. Também foi representante em Catende dos jornais “Diário de Pernambuco”, “Jornal do Commercio”, “Folha de Pernambuco”, “Vanguarda” e do jornal “Extra de Pernambuco”, estes dois últimos do município de Caruaru; Além disso, foi proprietário de uma banca de revistas e apresentador de programas esportivos na “Voz de Catende”, “Serra da Prata FM”, “Rede Farol”, rádio “Ágape” e atualmente na rádio comunitária "Nova Catende FM".

Ficou interessado em receber a edição digital do jornal "Catende em Foco"? É só entrar em contato pelo whatsaap (81) 99393-1577.


domingo, 30 de julho de 2023

Padre André Coopman


No dia 28 de julho do corrente ano, completou 18 anos do falecimento do saudoso Padre André.

André Albert Johann Coopman, nasceu no dia 1º de fevereiro de 1922, na cidade de Rotterdam – Holanda. Foi ordenado em 8 de novembro de 1945. Poliglota (dominando sete idiomas), músico, professor e engenheiro. Chegou a Catende, no ano de 1965 e foi o responsável pela reforma e ampliação da Igreja Matriz de Sant’Ana e da casa paroquial; construção da capela de São Francisco e do Centro Comunitário, no bairro da Nova Catende.

Autor das músicas do Hino Municipal de Catende e do Hino do Colégio Santa Terezinha; autor da letra do Hino do Colégio Costa Azevedo, da letra e música da Marcha dos Atiradores do Tiro de Guerra 07.012 e do Hino Oficial do XII Congresso Regional das Congregações Marianas do Nordeste, realizado em Catende em 1996.

Foi professor e diretor de diversas escolas da Região da Mata Sul de Pernambuco, entre elas o Colégio Diocesano, em Palmares e o Costa Azevedo, em Catende. Foi também secretário municipal de educação dos municípios de Catende e Tamandaré/PE.

Em 28 de novembro de 1970, juntamente com Padre João, recebeu o título de cidadão honorário de Catende, de onde se despediu em 1º de março de 2001.

Faleceu no dia 28 de julho de 2005, no Recife, sendo sepultado no túmulo da Congregação do Sagrado Coração de Jesus, no Cemitério do bairro da Várzea.

Em sua homenagem, duas escolas tem seu nome como denominação, uma municipal no Engenho São José da Prata, em Catende e uma estadual no Presídio da cidade de Palmares.




 

quarta-feira, 26 de julho de 2023

145ª Festa de Sant'Ana - Padroeira de Catende

 



 

FESTA DE SANT’ANA

- Desde 1879 -

 

Hoje está sendo realizada a 145ª edição da Festa de Sant’Ana, padroeira do município de Catende. A primeira festa foi realizada num sábado, dia 26 de julho de 1879, com uma procissão saída da sede do município, Palmares, com a imagem de Sant’Ana. Um grande grupo de pessoas veio acompanhando, que ao chegar a Catende, prestigiaram a inauguração da pequena capela, que fora formalmente benta, numa cerimônia bastante festiva.

            A capela foi construída por iniciativa do Capitão Levino Brasiliense do Rego Barros e mesmo sem estar totalmente concluída, o dia litúrgico da Santa, foi escolhido pelos habitantes do povoado para inaugurá-la.

            O local, depois foi denominado de Praça de Sant’Ana. Ao lado da capela, foi construído o cemitério que depois, foi transferido para o local onde hoje, está situada a Praça Coração Eucarístico, certamente depois de 1884 e em 1916, foi inaugurado um novo, o Cemitério da Sagrada Família.

            A primeira Capela de Sant’Ana, edificada no próspero centro comercial do povoado, foi demolida em 1915, quando as missas passaram a ser celebradas na nova capela construída em um terreno do engenho Bela Aurora, doado pela Empresa Mendes Lima & Cia., na época proprietária da Usina Catende.

            Renato Buarque de Macedo, em um trabalho ainda inédito, organizado pelo autor deste trabalho, conta que chovia muito durante o novenário no mês de julho, bem como no dia da festa. E que certa festa caiu um verdadeiro temporal, quando a procissão voltava pela rua Bela Aurora e os andores tiveram que ser recolhidos em uma casa particular.

A partir de 1920, o primeiro pároco, Padre Antônio Lagreca, passou a ser celebrar a Festa de Sant’Ana no dia 6 de janeiro. Ficando conhecida como a tradicional “Festa de Reis de Catende”. Depois de mais de 80 anos de tradição, em 2003 a festa da Padroeira, deixou de ser celebrada no dia 6 de janeiro, passando para julho, na sua data litúrgica.


Fonte: Livro Paróquia de Sant'Ana 100 anos, Catende 1918 - 2018.


sexta-feira, 14 de julho de 2023

 

A SAÚDE DOS TRABALHADORES DA USINA CATENDE

 

EDUARDO SILVA DE MENEZES*

 

Introdução

 

            A história de Pernambuco está diretamente ligada a história da cana-de-açúcar. Primeiro com os engenhos banguês movidos a água e a tração animal, depois com os engenhos movidos a vapor. Apenas no final do século XIX, foi que as usinas de açúcar foram tomando o lugar dos antigos engenhos.

            Toda essa produção da agroindústria na Zona da Mata sempre foi responsável pelo emprego máximo do contingente de trabalhadores. Porém, o que era muito bom para os empresários da cana-de-açúcar, não era tão bom para os trabalhadores, principalmente quando o assunto era saúde. Grande parte desses trabalhadores realizavam serviços braçais e eram bem pesados, assim como os acidentes eram frequentes e conforme FERREIRA FILHO (2011), aquela região não contava com serviços de saúde para o tratamento destes trabalhadores, ou aqueles que existiam, eram ineficientes.

            No Recife, em meados do século XX foram inaugurados dois hospitais para atender os trabalhadores das usinas da zona canavieira, o Hospital Barão de Lucena e o Hospital Gomes Maranhão. Porém iremos priorizar neste trabalho o caso da Usina Catende, localizada no município de Catende, a partir da década de 1930 manteve uma oferta de serviços de saúde para os trabalhares e seus familiares. Além dos serviços básicos, também foram construídos hospitais e postos de saúde, o que gerou um patrimônio que hoje está presente na memória coletiva da comunidade, como um tempo de prosperidade e que até hoje é rememorado pela população do município.

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* Graduado em História pela Universidade Católica de Pernambuco; 

 

A memória coletiva através dos serviços de saúde promovidos pela Usina Catende: lugares de memórias.

 

            A representação de um acontecimento passado ou a criação de uma imagem que temos deste, se dá através daquilo que nós vemos ou ouvimos. Ou seja, por meio do reconhecimento de um patrimônio, é possível rememorar um universo passado.

            E assim por quase trinta anos a população de Catende, município localizado na zona da mata pernambucana vive cultuando a memória da agroindústria, representada pela antiga Usina Catende, fundada no final do século XIX, no ano de 1892, por um engenheiro e comerciante inglês, chamado Carlos Sinden em sociedade com seu sogro, o proprietário de engenhos Felipe Paes.de Oliveira. Inicialmente a usina não deu resultados satisfatórios, havendo uma sucessão de proprietários até que em 1920, foi adquirida por uma sociedade da qual figurava o industrial pernambucano Antônio Ferreira da Costa Azevedo¹ que em 1927, tornou-se o único proprietário da indústria, sendo transformada em uma sociedade anônima formada em família “Usina Catende S.A” em 1933.

            Foi durante a administração do Costa Azevedo que a usina sofreu inúmeras reformas e modernizações, aumentando sua capacidade, chegando a ser considerada a maior usina de cana-de-açúcar do Brasil em produção. Além de toda essa modernização, a empresa também contribuiu bastante com a então Vila de Catende, pertencente ao município de Palmares, na assistência social, educação, no entanto iremos nos ater aos serviços de saúde oferecidos pela Usina Catende e que, mesmo após a desativação desses serviços e falência da usina, ocorrida na década de 1990, continua a povoar a memória dos catendenses como sendo um tempo glorioso, a qual, hoje, está reduzida à rememoração, conforme fala Paul Ricouer, sendo apenas uma coisa lembrada.

Policlínica Gouveia de Barros: presença de uma coisa ausente

            Até a primeira metade do século XX, as condições de vida e a saúde dos canavi-

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¹ Nascido no engenho Trapuá, na época pertencente ao município de Nazaré da Mata (hoje pertence ao município de Tracunhaém) no dia 16 de fevereiro de 1882 e falecido no Recife, no dia 20 de março de 1950.

eiros estavam associadas à deformações corporais, doenças e acidentes de trabalho (FERREIRA FILHO, 2011). Para tentar amenizar essa situação que por anos foi de sofrimento para os trabalhadores, o proprietário da Usina Catende, fora de qualquer obrigação legal e independentemente de descontos ou contribuições por parte dos trabalhadores, construiu e manteve uma policlínica, um lactário, postos de puericultura e postos de saúde na zona rural.

            A Policlínica foi inaugurada em 1947 e recebeu o nome “Gouveia de Barros” em homenagem ao médico pernambucano, sanitarista, professor da Faculdade de Medicina de Pernambuco, deputado federal e chefe do setor neurológico do Hospital Pedro II.

Policlínica Gouveia de Barros. Fonte: Livro Memória Histórica de Catende.

 

            A Policlínica contava com serviços de ambulatório, odontologia, pequenas cirurgias, obstetrícia, ginecologia, fisioterapia e clínica geral, com instalações adequadas e modernas. Da sua inauguração até o final do ano de 1948, foram os seguintes números de atendimentos:

Fonte: Edição nº 292 do Diário de Pernambuco, 16/12/1948.

           

            No ano de 1963, anexo a Policlínica foi construído um pavilhão de cirurgia geral “Helena de Azevedo Passos”, com salas de cirurgia, moderna sala de parto, setor de esterilização e arsenal cirúrgico, apartamentos para os médicos e três apartamentos para os doentes. Sendo o Pavilhão atendido com oxigênio canalizado, em todos os seus ambientes.

            Diante dessa situação, o município de Catende teve um período áureo, principalmente no setor da saúde, como podemos observar. Com a decadência da usina Catende, a Policlínica foi desativa na década de 1990² e a usina teve sua falência decretada judicialmente em 1995. Porém, mesmo com essa distância temporal, os catendenses alimentam esse sentimento platônico, pois apesar de não mais existência dos serviços de saúde, o prédio da policlínica continuava lá, mesmo não tendo mais funcionamento.

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² O prédio da Policlínica foi reformado pelo poder público municipal, em 2016 e tendo em vista o telhado da Unidade Mista e Maternidade do Município estando ameaçando cair, a referida unidade foi transferida para o prédio da antiga policlínica, onde está instalada até o presente momento.

Podemos explicar esse sentimento, quando Paul Ricoeur diz “com a lembrança o ausente traz a marca temporal do anterior” (RICOEUR, 2007, p. 38). Ainda segundo (RICOEUR, 2007, p. 64), o lembrado apoia-se no representado, ou seja, a rememoração dos “tempos bons” (lembrança) está apoiando-se no prédio da antiga policlínica (representação).

Mesmo gerações que não vivenciaram este período, tem na representação do prédio da Policlínica a memória de uma suntuosidade, isso pode ser explicado por RICOEUR (2007, p. 157).

Da memória compartilhada passa-se gradativamente à memória coletiva e suas comemorações ligadas a lugares consagrados pela tradição: foi por ocasião dessas experiências vividas que fora introduzida a noção de lugar de memória, anterior às expressões e às fixações que fizeram a fortuna ulterior dessa expressão.

 

Considerações Finais

            A história da Zona da Mata de Pernambuco está diretamente ligada a produção de cana-de-açúcar. No município de Catende, a usina surgida no final do século XIX, teve seu período de apogeu em meados do século XX, na administração de Antônio Ferreira da Costa Azevedo.

            Como as condições de saúde eram precárias para os trabalhadores, por meio do Costa Azevedo, os trabalhadores da Usina Catende tiveram por longos anos³, serviços de saúde de qualidade e de forma gratuita.

            Esse período satisfatório para os trabalhadores teve um final. E com a ausência dos serviços, essa distância temporal é rememorada até os dias de hoje. Tanto que de tanto evocar o passado, através dos vestígios, na imagem da Policlínica, foi atribuído valor ao que não mais tinha utilidade, quando o prédio foi reformado pelo poder público, dando um aproveitamento, a volta do funcionamento pela transferência de outra unidade de saúde.

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² Mesmo após sua morte, os serviços tiveram continuidade, inicialmente com seu filho João da Costa Azevedo e as demais administrações.

Referências

FERREIRA FILHO, José Marcelo Marques. O “Hospital das Usinas” e os trabalhadores do açúcar na zona canavieira de Pernambuco (1958-1973). Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH – São Paulo, julho 2011.

MENEZES, Eduardo. Memória Histórica de Catende. 2ª Edição, revista e ampliada. Catende: Ed. do Autor, 2014.

PERES, Gaspar; PERES, Apollonio. A indústria açucareira em Pernambuco. Recife: CEPE, 1991..

RICOEUR, Paul. A memória, a história, o esquecimento. Campinas: Editora da Unicamp, 2007.

Jornais

Diário de Pernambuco, 09 de dezembro de 1947 e 16 de dezembro de 1948.