quarta-feira, 11 de outubro de 2023
PROFESSORA ROMILDA MEDEIROS
quarta-feira, 13 de setembro de 2023
Centro Operário de Cultura Leão XIII - 82 anos de fundação
Tudo começou em 1941, quando o coletor
estadual Jaime Albuquerque, recém-chegado à Catende, percebendo que escassa a
prática de esportes, teve a ideia de criar um time de futebol.
Dessa forma, Jaime falou do seu desejo
com Pelópidas Soares, que de imediato aprovou a ideia e em pouco, tempo mais
catendenses foram aderindo, dentre eles o então prefeito Álvaro Lins e o Promotor
Público da recém-criada Comarca de Catende, Melquiades Montenegro, a Usina
Catende, também viu tudo com bons olhos.
Com isso, foi organizada uma reunião na sede
R.C.A – Rádio Cultural Artística, localizada, na Rua Bela Aurora, com a
presença de vários operários da Usina Catende e pessoas da sociedade, entre
elas Manoel Soares, Melquiades Montenegro, Manoel de Barros, João Candido,
Pelópidas Soares, Sebastião Félix e Diocleciano dos Santos. Dessa forma, foi
fundado no dia 13 de setembro de 1941, uma nova organização cultural no
município.
Jaime expôs sua ideia de criação de uma
associação que não cuidasse apenas de futebol, mas também de estudos sociais, aceita
por todos os presentes, ficou acertada a contribuição semanal por parte dos
sócios, o valor de 100 reis. Mais
adiante, voluntariamente, todos concordaram em contribuir com 200 reis.
Manoel Soares sugeriu que o centro
esportivo cultural, fosse chamado “Centro
Operário de Cultura” e Melquiades Montenegro, acrescentou “Leão XIII” em homenagem ao
Papa autor da Encíclica Rerum Novarum, ficando a denominado “Centro Operário de Cultura Leão XIII”,
com o objetivo de desenvolver intelectualmente os jovens e os operários de
Catende, ensinado noções de moral, religião, medicina e educação física.
Seu primeiro presidente foi o serralheiro
mecânico e chefe das oficinas da Usina Catende, Manoel de Barros e Silva, tendo
Jaime Albuquerque como Diretor de Desportos e Técnico do Time, até março de 1952, quando passou a
direção para Teobaldo. O “Leão XIII” funcionava
em uma casa na Rua da Saudade, 87, com
reuniões regulares e uma biblioteca, chegando a ser (registrada no Instituto Nacional do Livro, sob o nº 4.924,
em maio de 1952), além de serviços médicos gratuitos para
seus associados.
Nos primórdios, os jogos eram realizados
no “Campo da Saudade”, localizado na
mesma rua, tendo seu muro construído em 1945.
Em comemoração ao 5º aniversário de
fundação do Centro, no dia 13 de
setembro de 1946, foi lançada a pedra fundamental da
construção da sua sede. A partir de 1947, o Leão XIII, podia
enfrentar qualquer time do interior de Pernambuco e da capital, pois encontrava-se
filiado à Federação Pernambucana de
Desportos (FPD).
A inauguração de sua sede social aconteceu no dia 1º de maio de 1948, um majestoso prédio, doado
pelo Sr. Antonio Ferreira da Costa Azevedo, O Tenente. Grande festa houve em
Catende neste dia, missa, desfile das escolas, do Centro dos escoteiros e da
Filarmônica Catendense que tocou o hino do Leão XIII, também ocorreram várias
girândolas, discursos e um baile.
A fita simbólica foi cortada pela Sra.
Maria de Lourdes da Costa Azevedo, esposa
de João da Costa Azevedo, abrindo as portas da nova sede aos
operários de Catende. A sede foi benta pelo vigário da paróquia, padre Antonio
de Barros.
Em 1949, a arrecadação semanal do “Leão XIII”, era em média
800 a 900 cruzeiros, sendo descontado 1 cruzeiro por associado. Dessa
arrecadação, era feito o pagamento ao gerente, zelador da sede e do campo,
prêmios aos jogadores, promoção de festas e jogos, como também a compra de
materiais desportivos.
Com a morte do “Tenente” em março de
1950, o “C. O. C. Leão XIII” prestou
uma justa homenagem ao seu grande benfeitor, na ocasião da inauguração do Salão
Nobre do Clube, onde foram colocadas fotografias de Antonio Ferreira da Costa
Azevedo e do seu patrono, o Papa Leão XIII. Também o Campo da Saudade, passou a
ser chamado “Estádio Costa Azevedo”.
Ao longo dos anos, o “Leão XIII” organizou
vários concursos, como o Miss Beleza e Miss Primavera. No assunto futebol, foi
um verdadeiro sucesso.
O time do “Leão XIII” sempre teve, em seus quadros, grandes jogadores,
entre eles “Tamborete”, Teobaldo, que também foi goleiro do Náutico e do Santa
Cruz por onde foi campeão pernambucano em 1946, “Lú”, Abdoral, Nelson, Geraldo
e Everaldo, este último, nasceu em Catende, no dia 11 de junho de 1949, depois
de jogar no Leão XIII, jogou no São Paulo-SP, onde foi campeão paulista em 1970
e 71 e vice campeão brasileiro em 1971; Bahia-BA; Barcelona do Equador;
Atlético-PR; Valência da Venezuela; Operário-MS; Grêmio-RS; Atlético-MG, onde
foi campeão mineiro em 1978 e Comercial-RS, faleceu no dia 20 de janeiro de
2001, em Ponta Porã-MS.
Em épocas áureas, recebeu, em dezembro de 1954, uma numerosa delegação
do Clube Náutico Capibaribe, a partida de futebol foi realizada no dia 15,
daquele mês, tendo, como preliminar, uma disputa entre os cronistas recifenses
e o time de veteranos local, que terminou com a vitória dos cronistas por 2 x
1. O jogo principal foi marcado pelo equilíbrio do time alvirrubro e do “Leão
XIII”, que incentivado pela torcida local, conseguiu empatar, a partida que
terminou 2 x 2.
Nas décadas de 1940 e 1950, além de jogar com os times locais e vários
times do interior de Pernambuco, jogou, várias vezes, com o Santa Cruz, Náutico
e Sport. Jogou, ainda, com o “Treze de Campina Grande” e o “Madureira”, do Rio
de Janeiro, entre outros.
Foi o primeiro Campeão de Futebol das Usinas de Pernambuco, em 1958.
A partir da segunda metade da década de 1960, aquele que foi
considerado o bicho papão do interior e que tinha projetado o nome de Catende
no futebol pernambucano, entrou em crise e começou a perder sua fama e
prestígio.
Em junho de
Atualmente, o
clube possui uma quadra de esportes, piscinas, sauna e o Estádio de Futebol
“Antiógenes Chaves”, localizado no Bairro da Nova Catende, com capacidade para
1.200 espectadores.
sábado, 2 de setembro de 2023
Usina Catende e Cine Teatro Diamante
Construída pelo inglês Carlos Sinden, em sociedade com seu sogro, Felipe Paes de Oliveira, ambos proprietários do Engenho Catende e outros engenhos da região. A usina teve como nome inicial, “Usina Correia da Silva”, em homenagem a José Antônio Correia da Silva, que assumiu o governo de Pernambuco em 23 de outubro de 1890. À Usina Catende, foram incorporados os Engenhos Catende, Ouricuri e Niterói, pertencentes a Felipe Paes de Oliveira, e Monte Alegre, Granito, Permanente, Bela Aurora, Gameleira, Gameleirinha e Barro Vermelho, que eram de propriedades de Carlos Sinden.
Quando teve início a
assinatura de decretos para concessão de empréstimos, tendo, como objetivo, a
fundação de usinas, um desses documentos, assinado em 24 de março de 1891, foi
outorgado à Usina Catende, que estava
A Usina Catende teve a sua primeira moagem no dia 2 de setembro de 1892, quando suas ferragens foram bentas pelo Pe. Sebastião Bastos (Vigário de Palmares).
O nome “Correia da Silva”, assim como a Usina não tiveram sucesso, sendo esta sempre chamada pelo nome de Catende, devido ao nome do Engenho onde foi montada. Naquela época, dentre as usinas enumeradas pelo Estado de Pernambuco, deixaram de cumprir com seus compromissos as seguintes Usinas: Coelho, Lustosa, Guerra e Correia da Silva. Mas, as garantias cobriam o valor dos débitos. Em pouco tempo, a Usina se mostrou um verdadeiro fracasso, obrigando os seus fundadores a entregá-la aos credores, tendo, o Banco de Pernambuco, como o seu maior credor.
Em 1896 a Usina foi adquirida por Joaquim José Coimbra. Em 1905, passa a ser
propriedade da firma “Mendes Lima & Cia”, representada por Joaquim Lima de
Amorim, que, em
O grupo “Mendes Lima & Cia” era formado por
comerciantes, e só lhes interessava vender o açúcar e não fabricá-lo. Então,
negociaram com um grupo de usineiros, sendo a Usina adquirida por “Costa,
Bandeira & Cia.”, firma que faziam parte: “Herculano Bandeira & Cia”
(proprietários da Usina Mussurepe); “Bandeira & Irmãos” (proprietários da
Usina São José); “Oliveira & Irmão” (consignatária de açúcar de várias
usinas de Pernambuco); e “A. F. da Costa Azevedo”. Para dirigir a Usina, foi
escolhido Antônio Ferreira da Costa Azevedo, proprietário, na época da Usina
Santa Rita, na Paraíba.
Em 1923, com a saída da primeira firma da sociedade, continuaram as duas últimas, com a razão social de “Costa Oliveira & Irmão”, em 4 de março de 1927, o Tenente adquiriu a parte dos demais sócios e assumiu sozinho a direção da Empresa, sob a firma “A. F. da Costa Azevedo”, tornando-se, assim, o único proprietário da Usina Catende. Foi aí que começou a era de renovação e progresso da Usina Catende.
Em
A maioria dos gerentes das usinas procurava Ismael Silva (Sr. Santino), em busca de informações, principalmente do sistema de irrigação. Nas terras da Usina, foi construída uma usina hidrelétrica, projetada por Apolônio Sales (que, depois de trabalhar em Catende, foi Secretário de Agricultura de Pernambuco, Ministro da Agricultura do Governo Vargas e engenheiro da Barragem de Paulo Afonso), a fim de garantir a energia para a Usina. A Usina tinha 3 ternos de moendas Fletecher, que foi complementada, em 1948, com mais 2 ternos, movidos com máquinas a vapor, transformando-se, na época, nas maiores moendas do parque açucareiro nacional. A partir daí, a Usina Catende sempre se manteve como a de maior safra do país.
Foi, também, a Catende quem implantou a primeira
destilaria de álcool anidro do Brasil, em 1936, construída sob a supervisão do
químico Brito Passos.
Após a
morte de Antônio Ferreira da Costa Azevedo, em
De 1950
até
Na safra
de 1960/61, sua produção de açúcar subiu para 937.508 sacos. Continuando, ainda,
como a maior de Pernambuco. Na safra 1965/66, a Usina produziu 871.688 sacos. A
Usina Catende perdeu a primeira colocação em produção de açúcar na safra
1969/70, quando a Central de Barreiros produziu 1.000.833 sacos, enquanto a
Catende produziu 955.502 sacos. Na safra de 1970/71, a Usina Catende produziu
915.451 sacos, vencendo a Central de Barreiros por uma margem de 49 sacos,
voltando a ocupar o primeiro lugar.
Em julho de
Sob a
nova direção, a Usina Catende, na safra de 1975/76, produziu 966.550 sacos de
açúcar; cinco anos depois, na safra 1980/81, a Usina atingiu a produção de
1.334.130 sacos. Na safra 1983/84, a Usina produziu 1.555.220 sacos. Acima de 1
milhão de sacos de açúcar, 16 usinas ultrapassaram esse nível de produção,
sendo que, acima da Usina Catende, se classificaram a Usina Pumaty, com
1.888.100; Petribú, com 1.761.238; Trapiche, com 1.732.361; Olho d’Água, com
1.649.143 sacos; e Cucaú, com 1.569.230.
Assim como várias usinas do
Nordeste, a Catende entrou em crise, junto com o fracasso do Pró-álcool e o fechamento
do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), no final da década de
Em 17 de maio de 1995, os
trabalhadores solicitaram a falência da Usina. “A falência foi motivada pelas
dívidas que a empresa vinha acumulando. Só com tributos federais, estaduais,
INSS, FGTS, Banco do Brasil e fornecedores, eram R$ 660 milhões. O passivo
trabalhista chegou a R$ 550 milhões. Enquanto isso, o patrimônio da Usina só
chegava a R$ 60 milhões.” Os trabalhadores pediram a falência com o objetivo de
retirar o controle administrativo dos usineiros, alegando que os mesmos estavam destruindo o patrimônio da Usina.
O Banco do Brasil, como maior credor, passou
a administrar a massa falida, nomeando o Sr. Mário Borba como síndico.
Mas, em pouco tempo, o Banco resolveu renunciar. Mário Borba continuou como
síndico, desta vez, nomeado pela Justiça e indicado pelos trabalhadores.
Em 1998, foi criada a
Companhia Agrícola Harmonia, hoje denominada “Catende Harmonia”, que, apesar de
ter estatuto, ata e registro na Junta Comercial, continuou, apenas, no papel,
para, quando fosse encerrado o processo de falência, a Justiça passou o
patrimônio à Companhia. Porém, era esta empresa que vinha administrando a
Usina. Seu patrimônio envolvia um parque industrial; uma hidroelétrica que gera
energia própria; uma olaria; uma marcenaria; 48 engenhos; um hospital; sete
açudes e canais de irrigação; 26 mil hectares de terras; uma frota de veículos
e implementos, entre tratores, caminhões e enchedeiras; rede ferroviária, à
margem da empresa; e uma bacia hidrográfica, com vários rios perenes.
“Os trabalhadores e a
administração judicial concluíram a primeira safra superavitária depois da
falência, após anos de sacrifícios e dificuldades, em
As dificuldades financeiras,
agravadas pela enchente e o incêndio, que juntos deram um prejuízo de,
aproximadamente, R$ 11 milhões, fizeram com que a Usina vendesse o açúcar,
antecipadamente, aos intermediários (perdendo de
Com as enchentes que atingiram a Mata Sul do Estado de Pernambuco, nos anos de 2010 e 2011, a Usina Catende, também foi vítima da inundação.
Hoje, restam apenas as duas chaminés daquela que já foi a maior usina da América Latina.
No passado, com o desenvolvimento de Catende, logo se fez necessária a construção de um novo e moderno Cine Teatro. E foi assim que, no dia 2 de setembro de 1958, foi inaugurado, pela Usina Catende S.A., o “Cine Teatro Diamante”, que recebeu este nome em homenagem ao engenho onde o Sr. Antonio Ferreira da Costa Azevedo, iniciou suas atividades profissionais e local de nascimento do seu primeiro filho, João da Costa Azevedo, também primeiro prefeito de Catende. Construído na Praça Costa Azevedo, no local do antigo Catende Hotel, com capacidade para 1.321 espectadores, era equipado com projetores de última geração, importados da Holanda.
No dia de sua inauguração, foi exibido o filme “Melodia Imortal”. Tinha uma média anual de 120 sessões e 46.010 espectadores.
Foi desativado na década de 1980.
No dia 27 de novembro de 2000, pela
Lei Municipal n. 1.348/2000, o antigo Cine Teatro Diamante, ficou denominado de
Centro de Cultura “Romeu Afonso Medeiros”.
terça-feira, 29 de agosto de 2023
103 anos da chegada de Antonio Ferreira da Costa Azevedo
No dia 29 de agosto, completa 103 anos da chegada de ANTÔNIO FERREIRA DA COSTA AZEVEDO.
Nascido no Engenho Trapuá, Nazaré da Mata, no dia 16 de
fevereiro de 1882. Era filho de Domingos Ferreira de Souza Azevedo e Josefa
Maria de Souza Azevedo. Casou-se em 1904, com Ana Malta da Costa Azevedo, com quem teve oito filhos: João da Costa Azevedo, Maria José de Azevedo Chaves, Domingos
da Costa Azevedo, Maria Dolores de Azevedo Moura, Maria Amélia (estes três
últimos, nasceram de parto trigêmeo, sendo que Maria Amélia faleceu), Juraci
Azevedo da Costa Azevedo Figueiredo, Helena Azevedo de Brito Passos e Pedro da
Costa Azevedo.
Passou
parte de sua infância no Engenho onde nasceu. Desde pequeno, recebeu o apelido
de “Tenente”, pois, quando criança, nas brincadeiras, só queria ser Tenente. Pouco
se importava com os estudos, e, imediatamente deixou o colégio, para assumir a
função de encarregado, no Engenho do seu pai, aos quatorze anos de idade. Em 1900, arrendou o
Engenho Diamante, do seu cunhado e primo, João Antônio da Costa Azevedo,
onde safrejou por oito anos. Depois, arrendou o Engenho Camarazal, onde
permaneceu até 1913. Com as economias que fizera em Camarazal, comprou o
Engenho Utinga, pertencente ao município de São Lourenço da Mata-PE, cheio de
matas, onde, durante quatro anos forneceu lenhas a “Great Western”. Com os
lucros dessa atividade, comprou o Engenho Rodízio, e começou a fornecer
canas à Usina Mussurepe.
Em 1917, vendeu o Engenho Rodízio e comprou a Usina Santa Rita (antiga Cumbe), na Paraíba, por 480 contos e fazia dois anos que não moía devido a uma enchente. Reformou a Usina, ampliou o plantio de cana, drenou áreas encharcadas e aparelhou toda a indústria, moendo, com sucesso, durante cinco anos. Nesse período, aumentou as linhas férreas, comprou locomotivas e fez outros melhoramentos. Vendeu a Usina Santa Rita por 2 mil contos, para voltar para Pernambuco, quando comprou, em sociedade, a Usina Catende, ao grupo “Mendes Lima & Cia”.
Chegando a Catende no dia 29 de agosto de
1920, tomar posse da Usina como sócio gerente. Em 1923, com a saída da primeira firma da
sociedade, continuaram as duas últimas, com a razão social de “Costa Oliveira
& Irmão” e em 4 de março de 1927, o Tenente adquiriu a parte dos demais
sócios e assumiu sozinho a direção da Empresa, sob a firma “A. F. da Costa
Azevedo”, tornando-se o único proprietário daquela que viria a ser considerada a maior Usina da América do Sul, em produção e capacidade, possuindo 43 propriedades
agrícolas, uma via férrea de
O Tenente tornou-se o grande benfeitor e amigo da pequena Vila de Catende. Idealizou a construção de uma usina hidrelétrica, que passou a fornecer eletricidade para as casas dos funcionários residentes na Vila, passando a ter energia 24 horas, quando, pela termelétrica existente, eram, apenas, cinco horas por dia. Anualmente, após o balanço, distribuía uma gratificação aos funcionários.
Criou, em Catende, uma espécie de casa da moeda, passando a imprimir
“dinheiro”, em cédula de diversas cores, no valor de 200, 500, 1000 e 2000
réis, o “Gabão”, como era conhecido, chegou a recebido em preferência ao dinheiro nacional.
Quando soube que muitos de seus funcionários não eram casados na Igreja, viabilizou a realização de casamentos coletivos no pátio da Usina.
A partir de 1926, mandou demolir a velha Rua do Triângulo, na Vila Operária, com 39 casas de taipa, e, em substituição, mandou edificar a Rua Siqueira Neto, com 31 casas, e, a Rua 30 de Março, com 21 casas, todas de alvenaria. Em seguida, mandou demolir as velhas Ruas da Levada e do Coqueiro, construindo as Ruas Maximiano Germano de Souza e Augusto Antônio, ambas com 20 casas, cada uma. Depois, no lugar da Rua do Cercado, que tinha 10 casas, construiu a Rua Francisco Ferreira, com 20 casas. Mais tarde, outras ruas foram construídas: Antônio Porto, com 20 casas; Vila Engenheiro Molin, com 90 casas; Rua do China, com 15 casas, em substituição às Ruas do Limão e do Zinco, com 15 casas cada uma. Também, mandou construir diversas casas para os empregados e o prédio da Prefeitura, com o qual gastou, Cr$ 120.000,00, sem levar em conta o material empregado, fazendo doação ao Município.
Construiu, também, a
Policlínica “Gouveia de Barros”, o Lactário, Postos de Puericultura, Postos de
Saúde, nos engenhos; o Núcleo dos Escoteiros; distribuição de gêneros
alimentícios aos trabalhadores, pelo preço de custo (SODECO), as sedes do Aero
Clube, atual Catende Clube e do Centro Operário de Cultura “Leão XIII”, como,
também, reformou e ampliou a antiga Capela de Santana, também construiu e doou o
prédio do Colégio “Santa Teresinha”.
Sempre
preocupado com a assistência social, dedicou especial atenção aos Ensinos
Primário e Profissionalizante, preparando aqueles que seriam seus futuros
operários. Construiu o Grupo Escolar “Herculano Bandeira”, no centro da Cidade,
e as seguintes escolas: “Amauri de Medeiros”, no Engenho Ouricuri; “Rui
Barbosa”, no Engenho “Bomborel”; “José Mariano”, no Engenho Bálsamo; “Marcílio Dias”,
no Engenho Campinas; “Manoel Borba”, no Engenho Capricho; “Dantas Barreto”, no
Engenho Curupaiti; “Martins Júnior”, no Engenho Souza; “José Maria”, no Engenho
Venturoso; “Manoel Pinheiro”, no Engenho Espírito Santo; “Joaquim Nabuco”, no
Engenho Planqueta; “Oliveira Lima”, no Engenho Piragibe; “José Bezerra”, no
Engenho Santa Cruz; “Barbosa Lima”, no Engenho Tabaiaré.
O Tenente também batalhou em
defesa dos operários e dos trabalhadores rurais da Usina Catende. Quando, na
época, existia, na zona rural, o famoso “barracão”, que vendia as mercadorias
ruins por um preço alto, teve a iniciativa de impedir esse abuso contra o
trabalhador, criando um Departamento Comercial, na Usina, com a finalidade de
oferecer produtos de boa qualidade e com preços mais baixos para os operários.
O lucro obtido pelo Departamento Comercial era destinado às obras sociais
mantidas pela Usina.
terça-feira, 22 de agosto de 2023
João da Costa Azevedo
No último dia 18, completou 38 anos do falecimento de João da Costa Azevedo.
Nascido no dia 7 de novembro de 1904, no Engenho Diamante, em Nazaré da Mata-PE. Filho de Antônio Ferreira da Costa Azevedo (Tenente da Catende) e Ana Malta da Costa Azevedo. Em 1928, foi eleito o primeiro Prefeito de Catende, pelo Partido Republicano de Pernambuco. Formou-se em Direito em 1936, pela Faculdade de Direito do Recife.
Casou-se, em
1944, com Maria de Lourdes Colaço Ferreira, com quem teve os seguintes filhos,
Maria Ferreira, João da Costa Azevedo Filho, Martha Ferreira, Maria de Lourdes
e Domingos Ferreira da Costa Azevedo.
Após a morte de seu pai, ocorrida em 1950, exerceu, durante dois anos, a função de Diretor da Usina Catende, sendo, depois, eleito Presidente da mesma.
Durante o período em que permaneceu à frente da Usina, ocorreu a absorção da Usina Pirangi, que foi reequipada, e sua produção foi de 85.625 sacos de açúcar. Essa incorporação ajudou a fortalecer, ainda mais, a Usina Catende. Também, foi durante a sua administração que, a capacidade da Destilaria de Álcool Anidro, foi aumentada de 30 para 40 mil litros e instalado outro aparelho destilador.
Em maio de 1965, apesar de ter sido reeleito para a presidência da sociedade, entregou uma carta de renúncia, não assumindo o cargo para o qual foi reeleito. O motivo teria sido os diferentes pensamentos sobre a forma de administração da Usina, por parte dos demais sócios. Preferindo assim, renunciar, ficando apenas, como sócio até 1973, quando a Usina foi vendida.
Faleceu no dia 18 de agosto de 1985;
sexta-feira, 11 de agosto de 2023
GINÁSIO MUNICIPAL “JOSÉ EUGÊNIO CAVALCANTI” – 74 ANOS
Com o
crescimento da população e o rápido desenvolvimento de Catende, a grande
necessidade na época era a continuação gratuita do Curso Primário, e foi
através da Lei n.º 48, de 11 de agosto de 1949, sancionada pelo prefeito José
Eugênio Cavalcanti, que foi criado, o “Ginásio
Municipal de Catende” que hoje o tem como patrono. Porém o Ginásio
Municipal de Catende, só se tornou realidade em 1953, devido ao desejo do
prefeito João Calu do Nascimento e os esforços de Pelópidas Soares, na época
vereador e do Professor Edgar Brito de Almeida.
Formado o corpo docente, ficou assim constituído:
Português, José Estevão de Oliveira; Francês, Dr. Ernesto Caricio de Gouveia;
Matemática, Dr. Hélio Vidal de Freitas; Latim, Pe. Egídio Van Will; História do
Brasil, Dr. Wilmar Mayrinck; Geografia Geral, Edgar Brito de Almeida; Desenho,
Maria Augusta Wanderley Rocha; e Trabalhos Manuais, Beraniza Felipe da Silva.
Em fevereiro de 1954, foi realizado o exame de admissão,
que teve 65 candidatos. O Ginásio foi instalado, oficialmente, no dia 15 de
março de 1954, pelo prefeito João Calu do Nascimento e funcionou
provisoriamente, à noite no prédio do Grupo “Farias Neves Sobrinho”.
No dia 22 de
dezembro de 1957, realizou-se a conclusão da sua primeira turma, quando foram
homenageados: Dr. João da Costa Azevedo, Paraninfo; Dr. Lael Feijó Sampaio, Patrono;
Prefeito José Eugênio Cavalcanti, Honra ao Mérito; Prof.º Edgar Brito de
Almeida (diretor do Ginásio Municipal), Homenageado de Honra; Dr. Albérico do
Rego Barros, José Soares da Silva (diretor do Correio de Catende) e vereador Pelópidas Soares, Homenagem
Especial; professores: Ernesto Caricio de Gouveia, Josibias Darcy de Castro
Cavalcanti, Mário Alves de Souza Melo, Maria Augusta Wanderley Rocha, Zilda
Carneiro Viaro e Teresinha de Jesus Barros Lobo, Preito de Gratidão.
Sendo
concluintes: Adhemar da Silva Mendonça, Agenor da Silva Mendonça, Amaro Soares
da Silva (orador), Edgar Bezerra de Morais, Edvaldo José Wanderley Rocha,
Jaaziel Gonzaga da Silva, João Alves Bezerra, João Rodrigues da Silva, Paulo
Rogério de A. Melo, Jocelino de Sousa Ribeiro Júnior, José Augusto de
Albuquerque Maranhão, José Francisco de Lima, Leda de Albuquerque e Silva,
Maria América Silva Mendonça, Maria Consuelo Carneval, Maria Rosa Lins, Milton
Luna Feijó de Melo e Vanilde Ferreira de Melo.
Após o
falecimento do Sr. José Eugênio Cavalcanti, ocorrido em 28 de fevereiro de
1970, através da Lei 714/1970, aprovada por unanimidade pelos vereadores da
época, o Ginásio Municipal de Catende, passou a ser chamado Ginásio Municipal
“José Eugênio Cavalcanti”. Em 1971, suas instalações foram reformadas e aumentadas
para 15 salas de aula, pelo prefeito Josibias Darcy de Castro Cavalcanti, filho
do seu patrono.
Inicialmente seu fardamento era nas cores caqui e azul,
depois passando para as cores verde e branco, que durante muito tempo foi
motivo de orgulho para muitos catendenses. Hoje seu fardamento segue o padrão
do fardamento escolar da rede municipal de ensino.
Entre seus diretores(as) passaram nomes como Edith Furtado Marinho (primeira diretora), Dr. Wilmar Mayrinck, Berta Mayrinck, Edgar Brito de Almeida, Maria Augusta Wanderley Rocha, Fernanda Lúcia de Lima e Silva, João Bosco Leitão de Melo, Romilda Maria Cabral de Medeiros, José Pedro Soares Lira, Silas Campos de Oliveira, Josefa Souza Neves da Silva, Sebastião Bacalháo de Barros Lobo Neto, Aracy de Vasconcelos Gama e Teresinha Porto de Azevedo.
Letra e música: Josibias
Darcy de Castro Cavalcanti
Proclamemos mocidade!
Mocidade Estudantil;
Que lutamos na verdade,
Contra a ignorância hostil.
Refrão: Louros, troféus conquistemos!
Nosso estandarte fitemos!
Tendo
o livro a mão cintilante,
Combatamos, unidos avante!
Oh,
Que ventura estudar!
Oh!
Que delícia aprender!
Se na
vida nos falta o saber,
Às
armas todos... lutar!
Pais e Mestres reunidos
Mais alento nos trarão;
Nossos brios denegridos
Eles não consentirão.
Refrão: Louros, troféus
conquistemos! ...
sexta-feira, 4 de agosto de 2023
Jornal "Catende em Foco"
Surgiu neste mês de agosto em Catende, o jornal digital "Catende em Foco", com 23 páginas, idealizado pelo catendense Fábio Santana, tendo como designer gráfico, Carlos André, jornalista responsável e redator-chefe, Jénerson Alves.
Fábio Santana, é um incansável batalhador da imprensa catendense, tendo já publicado os jornais impressos no município, “Catende em Tempo” ; “A Gazetinha”; “Folha de Notícia”; “A Gazeta”. Também foi representante em Catende dos jornais “Diário de Pernambuco”, “Jornal do
Commercio”, “Folha de Pernambuco”, “Vanguarda” e do jornal “Extra de Pernambuco”, estes dois últimos do município de Caruaru; Além disso, foi proprietário de uma banca de
revistas e apresentador de programas esportivos na “Voz de Catende”, “Serra da
Prata FM”, “Rede Farol”, rádio “Ágape” e atualmente na rádio comunitária "Nova Catende FM".
Ficou interessado em receber a edição digital do jornal "Catende em Foco"? É só entrar em contato pelo whatsaap (81) 99393-1577.
domingo, 30 de julho de 2023
Padre André Coopman
No dia 28 de julho do corrente ano, completou 18 anos do falecimento do
saudoso Padre André.
André Albert Johann Coopman, nasceu no dia 1º de fevereiro de 1922, na
cidade de Rotterdam – Holanda. Foi ordenado em 8 de novembro de 1945. Poliglota
(dominando sete idiomas), músico, professor e engenheiro. Chegou a Catende, no
ano de 1965 e foi o responsável pela reforma e ampliação da Igreja Matriz de
Sant’Ana e da casa paroquial; construção da capela de São Francisco e do Centro
Comunitário, no bairro da Nova Catende.
Autor das músicas do Hino Municipal de Catende e do Hino do Colégio Santa
Terezinha; autor da letra do Hino do Colégio Costa Azevedo, da letra e música
da Marcha dos Atiradores do Tiro de Guerra 07.012 e do Hino Oficial do XII
Congresso Regional das Congregações Marianas do Nordeste, realizado em Catende
em 1996.
Foi professor e diretor de diversas escolas da Região da Mata Sul de
Pernambuco, entre elas o Colégio Diocesano, em Palmares e o Costa Azevedo, em
Catende. Foi também secretário municipal de educação dos municípios de Catende
e Tamandaré/PE.
Em 28 de novembro de 1970, juntamente com Padre João, recebeu o título de
cidadão honorário de Catende, de onde se despediu em 1º de março de 2001.
Faleceu no dia 28 de julho de 2005, no Recife, sendo sepultado no túmulo da
Congregação do Sagrado Coração de Jesus, no Cemitério do bairro da Várzea.
Em sua
homenagem, duas escolas tem seu nome como denominação, uma municipal no Engenho
São José da Prata, em Catende e uma estadual no Presídio da cidade de Palmares.
quarta-feira, 26 de julho de 2023
145ª Festa de Sant'Ana - Padroeira de Catende
FESTA DE SANT’ANA
- Desde 1879 -
Hoje está sendo realizada a 145ª edição da Festa de Sant’Ana, padroeira
do município de Catende. A primeira festa foi realizada num sábado, dia 26 de
julho de 1879, com uma procissão saída da sede do município, Palmares, com a
imagem de Sant’Ana. Um grande grupo de pessoas veio acompanhando, que ao chegar
a Catende, prestigiaram a inauguração da pequena capela, que fora formalmente
benta, numa cerimônia bastante festiva.
A capela foi construída por
iniciativa do Capitão Levino Brasiliense do Rego Barros e mesmo sem estar
totalmente concluída, o dia litúrgico da Santa, foi escolhido pelos habitantes
do povoado para inaugurá-la.
O local, depois foi denominado de
Praça de Sant’Ana. Ao lado da capela, foi construído o cemitério que depois,
foi transferido para o local onde hoje, está situada a Praça Coração
Eucarístico, certamente depois de 1884 e em 1916, foi inaugurado um novo, o
Cemitério da Sagrada Família.
A primeira Capela de Sant’Ana,
edificada no próspero centro comercial do povoado, foi demolida em 1915, quando
as missas passaram a ser celebradas na nova capela construída em um terreno do
engenho Bela Aurora, doado pela Empresa Mendes Lima & Cia., na época proprietária
da Usina Catende.
Renato Buarque de Macedo, em um
trabalho ainda inédito, organizado pelo autor deste trabalho, conta que chovia
muito durante o novenário no mês de julho, bem como no dia da festa. E que
certa festa caiu um verdadeiro temporal, quando a procissão voltava pela rua
Bela Aurora e os andores tiveram que ser recolhidos em uma casa particular.
A partir de 1920, o primeiro pároco, Padre Antônio Lagreca, passou a ser celebrar a Festa de Sant’Ana no dia 6 de janeiro. Ficando conhecida como a tradicional “Festa de Reis de Catende”. Depois de mais de 80 anos de tradição, em 2003 a festa da Padroeira, deixou de ser celebrada no dia 6 de janeiro, passando para julho, na sua data litúrgica.
Fonte: Livro Paróquia de Sant'Ana 100 anos, Catende 1918 - 2018.
sexta-feira, 14 de julho de 2023
A
SAÚDE DOS TRABALHADORES DA USINA CATENDE
EDUARDO
SILVA DE MENEZES*
Introdução
A
história de Pernambuco está diretamente ligada a história da cana-de-açúcar.
Primeiro com os engenhos banguês movidos a água e a tração animal, depois com
os engenhos movidos a vapor. Apenas no final do século XIX, foi que as usinas
de açúcar foram tomando o lugar dos antigos engenhos.
Toda essa produção da agroindústria
na Zona da Mata sempre foi responsável pelo emprego máximo do contingente de trabalhadores.
Porém, o que era muito bom para os empresários da cana-de-açúcar, não era tão
bom para os trabalhadores, principalmente quando o assunto era saúde. Grande
parte desses trabalhadores realizavam serviços braçais e eram bem pesados,
assim como os acidentes eram frequentes e conforme FERREIRA FILHO (2011),
aquela região não contava com serviços de saúde para o tratamento destes
trabalhadores, ou aqueles que existiam, eram ineficientes.
No Recife, em meados do século XX
foram inaugurados dois hospitais para atender os trabalhadores das usinas da
zona canavieira, o Hospital Barão de Lucena e o Hospital Gomes Maranhão. Porém
iremos priorizar neste trabalho o caso da Usina Catende, localizada no
município de Catende, a partir da década de 1930 manteve uma oferta de serviços
de saúde para os trabalhares e seus familiares. Além dos serviços básicos,
também foram construídos hospitais e postos de saúde, o que gerou um patrimônio
que hoje está presente na memória coletiva da comunidade, como um tempo de
prosperidade e que até hoje é rememorado pela população do município.
______________________
* Graduado em História pela Universidade Católica de Pernambuco;
A
memória coletiva através dos serviços de saúde promovidos pela Usina Catende: lugares
de memórias.
A
representação de um acontecimento passado ou a criação de uma imagem que temos
deste, se dá através daquilo que nós vemos ou ouvimos. Ou seja, por meio do
reconhecimento de um patrimônio, é possível rememorar um universo passado.
E assim por quase trinta anos a
população de Catende, município localizado na zona da mata pernambucana vive
cultuando a memória da agroindústria, representada pela antiga Usina Catende,
fundada no final do século XIX, no ano de 1892, por um engenheiro e comerciante
inglês, chamado Carlos Sinden em sociedade com seu sogro, o proprietário de
engenhos Felipe Paes.de Oliveira. Inicialmente a usina não deu resultados
satisfatórios, havendo uma sucessão de proprietários até que em 1920, foi
adquirida por uma sociedade da qual figurava o industrial pernambucano Antônio
Ferreira da Costa Azevedo¹ que em 1927, tornou-se o único proprietário da
indústria, sendo transformada em uma sociedade anônima formada em família
“Usina Catende S.A” em 1933.
Foi durante a administração do Costa
Azevedo que a usina sofreu inúmeras reformas e modernizações, aumentando sua
capacidade, chegando a ser considerada a maior usina de cana-de-açúcar do
Brasil em produção. Além de toda essa modernização, a empresa também contribuiu
bastante com a então Vila de Catende, pertencente ao município de Palmares, na
assistência social, educação, no entanto iremos nos ater aos serviços de saúde
oferecidos pela Usina Catende e que, mesmo após a desativação desses serviços e
falência da usina, ocorrida na década de 1990, continua a povoar a memória dos
catendenses como sendo um tempo glorioso, a qual, hoje, está reduzida à
rememoração, conforme fala Paul Ricouer, sendo apenas uma coisa lembrada.
Policlínica Gouveia de Barros:
presença de uma coisa ausente
Até
a primeira metade do século XX, as condições de vida e a saúde dos canavi-
______________________
¹ Nascido no engenho Trapuá, na época pertencente ao município
de Nazaré da Mata (hoje pertence ao município de Tracunhaém) no dia 16 de
fevereiro de 1882 e falecido no Recife, no dia 20 de março de 1950.
eiros
estavam associadas à deformações corporais, doenças e acidentes de trabalho
(FERREIRA FILHO, 2011). Para tentar amenizar essa situação que por anos foi de sofrimento
para os trabalhadores, o proprietário da Usina Catende, fora de qualquer
obrigação legal e independentemente de descontos ou contribuições por parte dos
trabalhadores, construiu e manteve uma policlínica, um lactário, postos de
puericultura e postos de saúde na zona rural.
A Policlínica foi inaugurada em 1947
e recebeu o nome “Gouveia de Barros” em homenagem ao médico pernambucano,
sanitarista, professor da Faculdade de Medicina de Pernambuco, deputado federal
e chefe do setor neurológico do Hospital Pedro II.
Policlínica Gouveia de Barros. Fonte: Livro Memória Histórica de Catende.
A Policlínica contava com serviços
de ambulatório, odontologia, pequenas cirurgias, obstetrícia, ginecologia,
fisioterapia e clínica geral, com instalações adequadas e modernas. Da sua
inauguração até o final do ano de 1948, foram os seguintes números de
atendimentos:
Fonte: Edição nº 292 do Diário de Pernambuco, 16/12/1948.
No ano de 1963, anexo a Policlínica
foi construído um pavilhão de cirurgia geral “Helena de Azevedo Passos”, com
salas de cirurgia, moderna sala de parto, setor de esterilização e arsenal
cirúrgico, apartamentos para os médicos e três apartamentos para os doentes.
Sendo o Pavilhão atendido com oxigênio canalizado, em todos os seus ambientes.
Diante dessa situação, o município
de Catende teve um período áureo, principalmente no setor da saúde, como
podemos observar. Com a decadência da usina Catende, a Policlínica foi desativa
na década de 1990² e a usina teve sua falência decretada judicialmente em 1995.
Porém, mesmo com essa distância temporal, os catendenses alimentam esse
sentimento platônico, pois apesar de não mais existência dos serviços de saúde,
o prédio da policlínica continuava lá, mesmo não tendo mais funcionamento.
______________
² O prédio da Policlínica foi reformado pelo poder
público municipal, em 2016 e tendo em vista o telhado da Unidade Mista e
Maternidade do Município estando ameaçando cair, a referida unidade foi
transferida para o prédio da antiga policlínica, onde está instalada até o
presente momento.
Podemos
explicar esse sentimento, quando Paul Ricoeur diz “com a lembrança o ausente
traz a marca temporal do anterior” (RICOEUR, 2007, p. 38). Ainda segundo
(RICOEUR, 2007, p. 64), o lembrado apoia-se no representado, ou seja, a rememoração
dos “tempos bons” (lembrança) está apoiando-se no prédio da antiga policlínica
(representação).
Mesmo
gerações que não vivenciaram este período, tem na representação do prédio da
Policlínica a memória de uma suntuosidade, isso pode ser explicado por RICOEUR
(2007, p. 157).
Da
memória compartilhada passa-se gradativamente à memória coletiva e suas
comemorações ligadas a lugares consagrados pela tradição: foi por ocasião
dessas experiências vividas que fora introduzida a noção de lugar de memória, anterior às
expressões e às fixações que fizeram a fortuna ulterior dessa expressão.
Considerações Finais
A
história da Zona da Mata de Pernambuco está diretamente ligada a produção de
cana-de-açúcar. No município de Catende, a usina surgida no final do século
XIX, teve seu período de apogeu em meados do século XX, na administração de Antônio
Ferreira da Costa Azevedo.
Como as condições de saúde eram
precárias para os trabalhadores, por meio do Costa Azevedo, os trabalhadores da
Usina Catende tiveram por longos anos³, serviços de saúde de qualidade e de
forma gratuita.
Esse período satisfatório para os
trabalhadores teve um final. E com a ausência dos serviços, essa distância
temporal é rememorada até os dias de hoje. Tanto que de tanto evocar o passado,
através dos vestígios, na imagem da Policlínica, foi atribuído valor ao que não
mais tinha utilidade, quando o prédio foi reformado pelo poder público, dando
um aproveitamento, a volta do funcionamento pela transferência de outra unidade
de saúde.
______________
² Mesmo após sua
morte, os serviços tiveram continuidade, inicialmente com seu filho João da
Costa Azevedo e as demais administrações.
Referências
FERREIRA
FILHO, José Marcelo Marques. O “Hospital
das Usinas” e os trabalhadores do açúcar na zona canavieira de Pernambuco
(1958-1973). Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH – São
Paulo, julho 2011.
MENEZES,
Eduardo. Memória Histórica de Catende. 2ª
Edição, revista e ampliada. Catende: Ed. do Autor, 2014.
PERES,
Gaspar; PERES, Apollonio. A indústria
açucareira em Pernambuco. Recife: CEPE, 1991..
RICOEUR,
Paul. A memória, a história, o
esquecimento. Campinas: Editora da Unicamp, 2007.
Jornais
Diário
de Pernambuco, 09 de dezembro de 1947 e 16 de dezembro de 1948.





















