domingo, 30 de julho de 2023

Padre André Coopman


No dia 28 de julho do corrente ano, completou 18 anos do falecimento do saudoso Padre André.

André Albert Johann Coopman, nasceu no dia 1º de fevereiro de 1922, na cidade de Rotterdam – Holanda. Foi ordenado em 8 de novembro de 1945. Poliglota (dominando sete idiomas), músico, professor e engenheiro. Chegou a Catende, no ano de 1965 e foi o responsável pela reforma e ampliação da Igreja Matriz de Sant’Ana e da casa paroquial; construção da capela de São Francisco e do Centro Comunitário, no bairro da Nova Catende.

Autor das músicas do Hino Municipal de Catende e do Hino do Colégio Santa Terezinha; autor da letra do Hino do Colégio Costa Azevedo, da letra e música da Marcha dos Atiradores do Tiro de Guerra 07.012 e do Hino Oficial do XII Congresso Regional das Congregações Marianas do Nordeste, realizado em Catende em 1996.

Foi professor e diretor de diversas escolas da Região da Mata Sul de Pernambuco, entre elas o Colégio Diocesano, em Palmares e o Costa Azevedo, em Catende. Foi também secretário municipal de educação dos municípios de Catende e Tamandaré/PE.

Em 28 de novembro de 1970, juntamente com Padre João, recebeu o título de cidadão honorário de Catende, de onde se despediu em 1º de março de 2001.

Faleceu no dia 28 de julho de 2005, no Recife, sendo sepultado no túmulo da Congregação do Sagrado Coração de Jesus, no Cemitério do bairro da Várzea.

Em sua homenagem, duas escolas tem seu nome como denominação, uma municipal no Engenho São José da Prata, em Catende e uma estadual no Presídio da cidade de Palmares.




 

quarta-feira, 26 de julho de 2023

145ª Festa de Sant'Ana - Padroeira de Catende

 



 

FESTA DE SANT’ANA

- Desde 1879 -

 

Hoje está sendo realizada a 145ª edição da Festa de Sant’Ana, padroeira do município de Catende. A primeira festa foi realizada num sábado, dia 26 de julho de 1879, com uma procissão saída da sede do município, Palmares, com a imagem de Sant’Ana. Um grande grupo de pessoas veio acompanhando, que ao chegar a Catende, prestigiaram a inauguração da pequena capela, que fora formalmente benta, numa cerimônia bastante festiva.

            A capela foi construída por iniciativa do Capitão Levino Brasiliense do Rego Barros e mesmo sem estar totalmente concluída, o dia litúrgico da Santa, foi escolhido pelos habitantes do povoado para inaugurá-la.

            O local, depois foi denominado de Praça de Sant’Ana. Ao lado da capela, foi construído o cemitério que depois, foi transferido para o local onde hoje, está situada a Praça Coração Eucarístico, certamente depois de 1884 e em 1916, foi inaugurado um novo, o Cemitério da Sagrada Família.

            A primeira Capela de Sant’Ana, edificada no próspero centro comercial do povoado, foi demolida em 1915, quando as missas passaram a ser celebradas na nova capela construída em um terreno do engenho Bela Aurora, doado pela Empresa Mendes Lima & Cia., na época proprietária da Usina Catende.

            Renato Buarque de Macedo, em um trabalho ainda inédito, organizado pelo autor deste trabalho, conta que chovia muito durante o novenário no mês de julho, bem como no dia da festa. E que certa festa caiu um verdadeiro temporal, quando a procissão voltava pela rua Bela Aurora e os andores tiveram que ser recolhidos em uma casa particular.

A partir de 1920, o primeiro pároco, Padre Antônio Lagreca, passou a ser celebrar a Festa de Sant’Ana no dia 6 de janeiro. Ficando conhecida como a tradicional “Festa de Reis de Catende”. Depois de mais de 80 anos de tradição, em 2003 a festa da Padroeira, deixou de ser celebrada no dia 6 de janeiro, passando para julho, na sua data litúrgica.


Fonte: Livro Paróquia de Sant'Ana 100 anos, Catende 1918 - 2018.


sexta-feira, 14 de julho de 2023

 

A SAÚDE DOS TRABALHADORES DA USINA CATENDE

 

EDUARDO SILVA DE MENEZES*

 

Introdução

 

            A história de Pernambuco está diretamente ligada a história da cana-de-açúcar. Primeiro com os engenhos banguês movidos a água e a tração animal, depois com os engenhos movidos a vapor. Apenas no final do século XIX, foi que as usinas de açúcar foram tomando o lugar dos antigos engenhos.

            Toda essa produção da agroindústria na Zona da Mata sempre foi responsável pelo emprego máximo do contingente de trabalhadores. Porém, o que era muito bom para os empresários da cana-de-açúcar, não era tão bom para os trabalhadores, principalmente quando o assunto era saúde. Grande parte desses trabalhadores realizavam serviços braçais e eram bem pesados, assim como os acidentes eram frequentes e conforme FERREIRA FILHO (2011), aquela região não contava com serviços de saúde para o tratamento destes trabalhadores, ou aqueles que existiam, eram ineficientes.

            No Recife, em meados do século XX foram inaugurados dois hospitais para atender os trabalhadores das usinas da zona canavieira, o Hospital Barão de Lucena e o Hospital Gomes Maranhão. Porém iremos priorizar neste trabalho o caso da Usina Catende, localizada no município de Catende, a partir da década de 1930 manteve uma oferta de serviços de saúde para os trabalhares e seus familiares. Além dos serviços básicos, também foram construídos hospitais e postos de saúde, o que gerou um patrimônio que hoje está presente na memória coletiva da comunidade, como um tempo de prosperidade e que até hoje é rememorado pela população do município.

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* Graduado em História pela Universidade Católica de Pernambuco; 

 

A memória coletiva através dos serviços de saúde promovidos pela Usina Catende: lugares de memórias.

 

            A representação de um acontecimento passado ou a criação de uma imagem que temos deste, se dá através daquilo que nós vemos ou ouvimos. Ou seja, por meio do reconhecimento de um patrimônio, é possível rememorar um universo passado.

            E assim por quase trinta anos a população de Catende, município localizado na zona da mata pernambucana vive cultuando a memória da agroindústria, representada pela antiga Usina Catende, fundada no final do século XIX, no ano de 1892, por um engenheiro e comerciante inglês, chamado Carlos Sinden em sociedade com seu sogro, o proprietário de engenhos Felipe Paes.de Oliveira. Inicialmente a usina não deu resultados satisfatórios, havendo uma sucessão de proprietários até que em 1920, foi adquirida por uma sociedade da qual figurava o industrial pernambucano Antônio Ferreira da Costa Azevedo¹ que em 1927, tornou-se o único proprietário da indústria, sendo transformada em uma sociedade anônima formada em família “Usina Catende S.A” em 1933.

            Foi durante a administração do Costa Azevedo que a usina sofreu inúmeras reformas e modernizações, aumentando sua capacidade, chegando a ser considerada a maior usina de cana-de-açúcar do Brasil em produção. Além de toda essa modernização, a empresa também contribuiu bastante com a então Vila de Catende, pertencente ao município de Palmares, na assistência social, educação, no entanto iremos nos ater aos serviços de saúde oferecidos pela Usina Catende e que, mesmo após a desativação desses serviços e falência da usina, ocorrida na década de 1990, continua a povoar a memória dos catendenses como sendo um tempo glorioso, a qual, hoje, está reduzida à rememoração, conforme fala Paul Ricouer, sendo apenas uma coisa lembrada.

Policlínica Gouveia de Barros: presença de uma coisa ausente

            Até a primeira metade do século XX, as condições de vida e a saúde dos canavi-

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¹ Nascido no engenho Trapuá, na época pertencente ao município de Nazaré da Mata (hoje pertence ao município de Tracunhaém) no dia 16 de fevereiro de 1882 e falecido no Recife, no dia 20 de março de 1950.

eiros estavam associadas à deformações corporais, doenças e acidentes de trabalho (FERREIRA FILHO, 2011). Para tentar amenizar essa situação que por anos foi de sofrimento para os trabalhadores, o proprietário da Usina Catende, fora de qualquer obrigação legal e independentemente de descontos ou contribuições por parte dos trabalhadores, construiu e manteve uma policlínica, um lactário, postos de puericultura e postos de saúde na zona rural.

            A Policlínica foi inaugurada em 1947 e recebeu o nome “Gouveia de Barros” em homenagem ao médico pernambucano, sanitarista, professor da Faculdade de Medicina de Pernambuco, deputado federal e chefe do setor neurológico do Hospital Pedro II.

Policlínica Gouveia de Barros. Fonte: Livro Memória Histórica de Catende.

 

            A Policlínica contava com serviços de ambulatório, odontologia, pequenas cirurgias, obstetrícia, ginecologia, fisioterapia e clínica geral, com instalações adequadas e modernas. Da sua inauguração até o final do ano de 1948, foram os seguintes números de atendimentos:

Fonte: Edição nº 292 do Diário de Pernambuco, 16/12/1948.

           

            No ano de 1963, anexo a Policlínica foi construído um pavilhão de cirurgia geral “Helena de Azevedo Passos”, com salas de cirurgia, moderna sala de parto, setor de esterilização e arsenal cirúrgico, apartamentos para os médicos e três apartamentos para os doentes. Sendo o Pavilhão atendido com oxigênio canalizado, em todos os seus ambientes.

            Diante dessa situação, o município de Catende teve um período áureo, principalmente no setor da saúde, como podemos observar. Com a decadência da usina Catende, a Policlínica foi desativa na década de 1990² e a usina teve sua falência decretada judicialmente em 1995. Porém, mesmo com essa distância temporal, os catendenses alimentam esse sentimento platônico, pois apesar de não mais existência dos serviços de saúde, o prédio da policlínica continuava lá, mesmo não tendo mais funcionamento.

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² O prédio da Policlínica foi reformado pelo poder público municipal, em 2016 e tendo em vista o telhado da Unidade Mista e Maternidade do Município estando ameaçando cair, a referida unidade foi transferida para o prédio da antiga policlínica, onde está instalada até o presente momento.

Podemos explicar esse sentimento, quando Paul Ricoeur diz “com a lembrança o ausente traz a marca temporal do anterior” (RICOEUR, 2007, p. 38). Ainda segundo (RICOEUR, 2007, p. 64), o lembrado apoia-se no representado, ou seja, a rememoração dos “tempos bons” (lembrança) está apoiando-se no prédio da antiga policlínica (representação).

Mesmo gerações que não vivenciaram este período, tem na representação do prédio da Policlínica a memória de uma suntuosidade, isso pode ser explicado por RICOEUR (2007, p. 157).

Da memória compartilhada passa-se gradativamente à memória coletiva e suas comemorações ligadas a lugares consagrados pela tradição: foi por ocasião dessas experiências vividas que fora introduzida a noção de lugar de memória, anterior às expressões e às fixações que fizeram a fortuna ulterior dessa expressão.

 

Considerações Finais

            A história da Zona da Mata de Pernambuco está diretamente ligada a produção de cana-de-açúcar. No município de Catende, a usina surgida no final do século XIX, teve seu período de apogeu em meados do século XX, na administração de Antônio Ferreira da Costa Azevedo.

            Como as condições de saúde eram precárias para os trabalhadores, por meio do Costa Azevedo, os trabalhadores da Usina Catende tiveram por longos anos³, serviços de saúde de qualidade e de forma gratuita.

            Esse período satisfatório para os trabalhadores teve um final. E com a ausência dos serviços, essa distância temporal é rememorada até os dias de hoje. Tanto que de tanto evocar o passado, através dos vestígios, na imagem da Policlínica, foi atribuído valor ao que não mais tinha utilidade, quando o prédio foi reformado pelo poder público, dando um aproveitamento, a volta do funcionamento pela transferência de outra unidade de saúde.

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² Mesmo após sua morte, os serviços tiveram continuidade, inicialmente com seu filho João da Costa Azevedo e as demais administrações.

Referências

FERREIRA FILHO, José Marcelo Marques. O “Hospital das Usinas” e os trabalhadores do açúcar na zona canavieira de Pernambuco (1958-1973). Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH – São Paulo, julho 2011.

MENEZES, Eduardo. Memória Histórica de Catende. 2ª Edição, revista e ampliada. Catende: Ed. do Autor, 2014.

PERES, Gaspar; PERES, Apollonio. A indústria açucareira em Pernambuco. Recife: CEPE, 1991..

RICOEUR, Paul. A memória, a história, o esquecimento. Campinas: Editora da Unicamp, 2007.

Jornais

Diário de Pernambuco, 09 de dezembro de 1947 e 16 de dezembro de 1948.

terça-feira, 4 de julho de 2023





Casamento dos pais de Hermilo Borba Filho, foi realizado em Catende-PE.

 

Está registrado na folha 129 do Livro I de casamentos do Cartório de Catende, o matrimônio dos pais do grande escritor e dramaturgo pernambucano Hermilo Borba Filho, realizado no dia 20 de fevereiro de 1895, na residência do pai da noiva, José Portela de Macedo. Serviram como testemunhas, João Batista Wanderley e Pedro Cássio de Queiroz Portela.

O noivo, Hermilo Borba de Carvalho, com vinte e três anos de idade, natural e residente em Palmares, filho de Miguel Jerônimo de Carvalho e Inês Francisca Borba de Carvalho.

A noiva, Irinea Portela Lins, com vinte e um anos de idade, natural de Gameleira e residente em Catende, filha de José Portela de Macedo e Joana Portela Lins.

Além de Hermilo, o casal teve os seguintes filhos, Diva, Maria Violeta, Clóvis, Miguel Jerônimo de Carvalho Neto, José, Luís e Ruy Borba de Carvalho.