A história centenária da Filarmônica Catendense e sua evolução até os dias atuais

Crédito da foto: Livro Memória Histórica de Catende. Descrição dos presentes na foto, no final do texto.
De acordo com os escritos do
ex-prefeito Renato Buarque de Macedo (1898-1967), no ano de 1893 ,
foi instalada em Catende uma banda de música, tendo como primeiro presidente o
proprietário do engenho Boa Vista, Afonso Freire. Inicialmente chamada de “7 de
Setembro”, logo passou a ser denominada “Filarmônica
Catendense”.
A edição nº 3 do jornal “O Catendense”, datada de
16 de agosto de 1908, relata a visita da Filarmônica ao povoado de Ribeirão
(hoje, município). O seu diretor era Sylvio Floresta, tendo como patrono o
ilustre músico brasileiro Carlos Gomes.
A Filarmônica Catendense era
formada por músicos e jovens catendenses e mantida pelos proprietários de
engenhos, comerciantes e funcionários da Usina Catende,
apresentando-se nas festividades da Usina, eventos cívicos, aniversários dos
sócios, batizados e casamentos.
Passaram como maestros João Sales e André Coelho, até que a
banda entrou em um período de inatividade, devido à falta de componentes, uma
vez que muitos de seus integrantes foram residir fora de Catende.
Foi então que em 1921, José
Soares da Silva, contador da Usina Catende, José Lourenço Rodrigues,
farmacêutico e Clóvis Carvalho, jornalista e irmão de Hermilo Borba Filho,
conseguiram reorganizar a Filarmônica Catendense.
Em 1922, foi contratado para
ser maestro da Filarmônica o famoso músico pernambucano “Felinho”, que
permaneceu no cargo até 1931. Foi nesse período, em Catende, que ele compôs o
clássico do frevo pernambucano “Formigão”. Adquiriu-se um novo fardamento e novos
instrumentos, bem como alguns músicos foram trabalhar na Usina por intermédio
de José Soares. Sob a gerência de Álvaro do Rego Barros e com o auxílio da
Usina Catende, do proprietário do Engenho Curupaity e outros cidadãos, foi
construída uma sede própria em
um terreno cedido por Álvaro Valença, na Rua João Pessoa, sendo inaugurada no
dia 8 de setembro de 1925, época em que foi considerada a melhor banda de
música do interior do Estado.
Em 1934, assumiu a presidência
Ismael Silva, conhecido como Sr. Santino, que comprou novos instrumentos em São
Paulo, e o maestro Antônio Araújo, sucedido por José da Justa, sendo ele o
último maestro da Filarmônica Catendense.
Após passar por mais um
período de inatividade, o então prefeito Fernando Barros percebendo a
necessidade de uma banda de música, organizou em 1973 a Sociedade Musical 11 de
Setembro, tendo como presidente José Rufino da Silva, conhecido como “Zuza
Pintado”, e maestro “Dudinha”.
Faziam parte da Banda de Música 11 de Setembro músicos remanescentes da
Filarmônica Catendense.
Novamente desativada em 1980,
a banda de música voltou a ser organizada em 1983 pelo prefeito da época Odorico
Lobo Freire Júnior, em convênio com a Prefeitura, sendo maestro Luiz Alves
Cansanção, antigo membro da Filarmônica.
Em meados da década de 2000, a
banda voltou a ser desativada.
Recentemente, em 2020, alguns
ex-integrantes, liderados por Eli Sandro Telles Laurentino, resolveram dar nova
vida à banda, mas, por
inviabilidade jurídica e fiscal, registraram uma nova banda denominada Centro
Catendense de Artes Musicais Maestro Luiz
Alves Cansanção.
A “Banda Musical Luiz Alves Cansanção” é portanto a continuação legítima da centenária Filarmônica Catendense, fundada em 1893 e que neste ano completa 131 anos levando a arte da música para além do município de Catende.
Foto:
De pé, no primeiro plano, da esquerda para a direita: Otávio Rodolfo, Moises Delmiro, Cícero Cordeiro, Antônio Lourenço e Antônio Francisco; no segundo plano: Benedito Alvesm Luiz Pereira, José Pereira, Luiz de França, Sebastião Porto e Deocleciano Francisco; no terceiro plano: Maestro Aureliano Brito, Salustiano Urbano, Gerson Pereira, Narciso Pinheiro, Arthur Cosme, João Ferreira, Walfredo Bezerra e Antonio Cunha (Presidente).