No dia 29 de agosto, completa 103 anos da chegada de ANTÔNIO FERREIRA DA COSTA AZEVEDO.
Nascido no Engenho Trapuá, Nazaré da Mata, no dia 16 de
fevereiro de 1882. Era filho de Domingos Ferreira de Souza Azevedo e Josefa
Maria de Souza Azevedo. Casou-se em 1904, com Ana Malta da Costa Azevedo, com quem teve oito filhos: João da Costa Azevedo, Maria José de Azevedo Chaves, Domingos
da Costa Azevedo, Maria Dolores de Azevedo Moura, Maria Amélia (estes três
últimos, nasceram de parto trigêmeo, sendo que Maria Amélia faleceu), Juraci
Azevedo da Costa Azevedo Figueiredo, Helena Azevedo de Brito Passos e Pedro da
Costa Azevedo.
Passou
parte de sua infância no Engenho onde nasceu. Desde pequeno, recebeu o apelido
de “Tenente”, pois, quando criança, nas brincadeiras, só queria ser Tenente. Pouco
se importava com os estudos, e, imediatamente deixou o colégio, para assumir a
função de encarregado, no Engenho do seu pai, aos quatorze anos de idade. Em 1900, arrendou o
Engenho Diamante, do seu cunhado e primo, João Antônio da Costa Azevedo,
onde safrejou por oito anos. Depois, arrendou o Engenho Camarazal, onde
permaneceu até 1913. Com as economias que fizera em Camarazal, comprou o
Engenho Utinga, pertencente ao município de São Lourenço da Mata-PE, cheio de
matas, onde, durante quatro anos forneceu lenhas a “Great Western”. Com os
lucros dessa atividade, comprou o Engenho Rodízio, e começou a fornecer
canas à Usina Mussurepe.
Em 1917, vendeu o Engenho Rodízio e comprou a Usina Santa Rita (antiga Cumbe), na Paraíba, por 480 contos e fazia dois anos que não moía devido a uma enchente. Reformou a Usina, ampliou o plantio de cana, drenou áreas encharcadas e aparelhou toda a indústria, moendo, com sucesso, durante cinco anos. Nesse período, aumentou as linhas férreas, comprou locomotivas e fez outros melhoramentos. Vendeu a Usina Santa Rita por 2 mil contos, para voltar para Pernambuco, quando comprou, em sociedade, a Usina Catende, ao grupo “Mendes Lima & Cia”.
Chegando a Catende no dia 29 de agosto de
1920, tomar posse da Usina como sócio gerente. Em 1923, com a saída da primeira firma da
sociedade, continuaram as duas últimas, com a razão social de “Costa Oliveira
& Irmão” e em 4 de março de 1927, o Tenente adquiriu a parte dos demais
sócios e assumiu sozinho a direção da Empresa, sob a firma “A. F. da Costa
Azevedo”, tornando-se o único proprietário daquela que viria a ser considerada a maior Usina da América do Sul, em produção e capacidade, possuindo 43 propriedades
agrícolas, uma via férrea de
O Tenente tornou-se o grande benfeitor e amigo da pequena Vila de Catende. Idealizou a construção de uma usina hidrelétrica, que passou a fornecer eletricidade para as casas dos funcionários residentes na Vila, passando a ter energia 24 horas, quando, pela termelétrica existente, eram, apenas, cinco horas por dia. Anualmente, após o balanço, distribuía uma gratificação aos funcionários.
Criou, em Catende, uma espécie de casa da moeda, passando a imprimir
“dinheiro”, em cédula de diversas cores, no valor de 200, 500, 1000 e 2000
réis, o “Gabão”, como era conhecido, chegou a recebido em preferência ao dinheiro nacional.
Quando soube que muitos de seus funcionários não eram casados na Igreja, viabilizou a realização de casamentos coletivos no pátio da Usina.
A partir de 1926, mandou demolir a velha Rua do Triângulo, na Vila Operária, com 39 casas de taipa, e, em substituição, mandou edificar a Rua Siqueira Neto, com 31 casas, e, a Rua 30 de Março, com 21 casas, todas de alvenaria. Em seguida, mandou demolir as velhas Ruas da Levada e do Coqueiro, construindo as Ruas Maximiano Germano de Souza e Augusto Antônio, ambas com 20 casas, cada uma. Depois, no lugar da Rua do Cercado, que tinha 10 casas, construiu a Rua Francisco Ferreira, com 20 casas. Mais tarde, outras ruas foram construídas: Antônio Porto, com 20 casas; Vila Engenheiro Molin, com 90 casas; Rua do China, com 15 casas, em substituição às Ruas do Limão e do Zinco, com 15 casas cada uma. Também, mandou construir diversas casas para os empregados e o prédio da Prefeitura, com o qual gastou, Cr$ 120.000,00, sem levar em conta o material empregado, fazendo doação ao Município.
Construiu, também, a
Policlínica “Gouveia de Barros”, o Lactário, Postos de Puericultura, Postos de
Saúde, nos engenhos; o Núcleo dos Escoteiros; distribuição de gêneros
alimentícios aos trabalhadores, pelo preço de custo (SODECO), as sedes do Aero
Clube, atual Catende Clube e do Centro Operário de Cultura “Leão XIII”, como,
também, reformou e ampliou a antiga Capela de Santana, também construiu e doou o
prédio do Colégio “Santa Teresinha”.
Sempre
preocupado com a assistência social, dedicou especial atenção aos Ensinos
Primário e Profissionalizante, preparando aqueles que seriam seus futuros
operários. Construiu o Grupo Escolar “Herculano Bandeira”, no centro da Cidade,
e as seguintes escolas: “Amauri de Medeiros”, no Engenho Ouricuri; “Rui
Barbosa”, no Engenho “Bomborel”; “José Mariano”, no Engenho Bálsamo; “Marcílio Dias”,
no Engenho Campinas; “Manoel Borba”, no Engenho Capricho; “Dantas Barreto”, no
Engenho Curupaiti; “Martins Júnior”, no Engenho Souza; “José Maria”, no Engenho
Venturoso; “Manoel Pinheiro”, no Engenho Espírito Santo; “Joaquim Nabuco”, no
Engenho Planqueta; “Oliveira Lima”, no Engenho Piragibe; “José Bezerra”, no
Engenho Santa Cruz; “Barbosa Lima”, no Engenho Tabaiaré.
O Tenente também batalhou em
defesa dos operários e dos trabalhadores rurais da Usina Catende. Quando, na
época, existia, na zona rural, o famoso “barracão”, que vendia as mercadorias
ruins por um preço alto, teve a iniciativa de impedir esse abuso contra o
trabalhador, criando um Departamento Comercial, na Usina, com a finalidade de
oferecer produtos de boa qualidade e com preços mais baixos para os operários.
O lucro obtido pelo Departamento Comercial era destinado às obras sociais
mantidas pela Usina.





