O Colégio Santa Terezinha, uma das mais tradicionais
instituições de ensino de Catende, chega a um marco histórico significativo:
seus 99 anos de fundação. Sua história remonta à passagem do Pe. Abílio Galvão,
por aqui, quando idealizou a criação de um colégio católico que fosse dirigido
por religiosas — proposta que foi prontamente acolhida pela comunidade
paroquial.
A iniciativa contou com o decisivo apoio do então
proprietário da Usina Catende, Antônio Ferreira da Costa Azevedo, e de seu
filho, João da Costa Azevedo, que doaram o prédio e todo o material necessário
para o funcionamento da escola. Assim, durante as festividades de São José, no
dia 19 de março de 1927, foi oficialmente fundado o colégio, sob a direção das
Irmãs da Congregação Franciscana de Nossa Senhora do Bom Conselho, tendo como
primeira supervisora a Madre Maria das Dores.
Inicialmente instalado na rua Bela Aurora, em um prédio
reformado pela Usina Catende (local onde hoje se situa o antigo Grupo da
Usina), o colégio rapidamente se consolidou. Já no dia 5 de abril de 1927,
contava com cerca de 50 alunas matriculadas. Posteriormente, a usina doou um
terreno próximo à Igreja Matriz de Sant’Ana, além de todo o material necessário
para a construção de sua sede própria.
Desde o início, o Colégio Santa Terezinha destacou-se pela
qualidade e diversidade do ensino oferecido. Além do Jardim de Infância e do
Curso Primário, oferecia também o Curso Complementar, com disciplinas como
Francês, Álgebra, História da Civilização, História da Literatura Brasileira,
Datilografia, Cosmografia e Corografia. Na área artística, proporcionava
formação em música — com aulas de piano, violino, bandolim e órgão — além de
pintura.
Ao longo de quase um século, o Colégio Santa Terezinha
tornou-se um verdadeiro berço de formação educacional, cultural e humana, por
onde passaram inúmeras gerações de catendenses, contribuindo de forma decisiva
para o desenvolvimento da cidade.
É importante destacar que sua fundação é anterior à própria
emancipação política de Catende, o que reforça ainda mais sua relevância
histórica. Celebrar seus 99 anos é reconhecer não apenas a trajetória de uma
instituição de ensino, mas também um capítulo fundamental da memória e da
identidade do povo catendense.
Há 108 anos, nascia oficialmente uma história de fé, devoção
e identidade que se confunde com a própria história de Catende.
Tudo começou de forma simples, mas profundamente
significativa. Ainda em 1875, movidos pela fé, homens e mulheres iniciaram a
construção de uma pequena capela, no mesmo solo onde, um ano antes, havia sido
celebrada a primeira missa. Sob a liderança do Capitão Levino e com a
colaboração dos engenheiros da estrada de ferro, aquele pequeno templo erguia
não apenas paredes, mas os alicerces espirituais de um povo.
A escolha de Sant’Ana como padroeira não foi por acaso — foi
um gesto de amor e devoção, inspirado pela fé de uma jovem, filha de um
engenheiro, que tocou o coração de toda a comunidade. E assim, em 26 de julho
de 1879, uma multidão emocionada acompanhou, em procissão desde Palmares, a
chegada da primeira imagem de Sant’Ana. Ali, entre lágrimas, cânticos e
esperança, nascia um símbolo eterno de fé para Catende.
Com o passar dos anos, a pequena capela tornou-se
insuficiente para acolher tantos corações fervorosos. E foi com esforço
coletivo, dedicação e amor — especialmente de figuras como Dona Marieta
Siqueira — que uma nova igreja começou a surgir, ampliando não apenas o espaço
físico, mas também a presença viva da fé no cotidiano do povo.
Então, em 19 de março de 1918, esse sonho ganhou forma
definitiva: por decreto, era criada a Paróquia de Catende. Um marco histórico
que elevou aquela comunidade a um novo patamar de organização religiosa e
espiritual. Pouco tempo depois, o primeiro vigário, Pe. Antônio Lagreca,
chegava para conduzir o rebanho, celebrando a primeira missa paroquial diante
de uma multidão cheia de esperança.
Desde então, a paróquia cresceu, se fortaleceu e se
transformou. Passou por dioceses, acolheu pastores, viveu reformas, desafios e
conquistas.
Ao longo de mais de um século, foram incontáveis batizados,
casamentos, crismas, celebrações e despedidas. Foram gerações inteiras que
encontraram, naquele espaço sagrado, consolo, força e sentido para suas vidas.
E que emoção recordar que, no ano de 2001, pela primeira
vez, um filho desta terra foi ordenado sacerdote dentro da própria Matriz —
sinal vivo de que a fé plantada lá atrás continua dando frutos.
Celebrar os 108 anos da Paróquia de Sant’Ana é celebrar a
perseverança de um povo, a força de uma tradição e a presença constante de Deus
na caminhada de Catende.
Mais do que um templo de pedra, esta paróquia é feita de
histórias, de memórias e, sobretudo, de amor.




