segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

67 Anos da Primeira Turma de Concluintes do Ginásio Municipal de Catende



No dia 22 de dezembro de 2024, celebramos com saudade e orgulho os 67 anos da formatura da primeira turma do Ginásio Municipal de Catende. Idealizado em 1949 e concretizado em 1954, foi fruto do empenho de lideranças visionárias, como os prefeitos José Eugênio Cavalcanti e João Calu do Nascimento, bem como do vereador Pelópidas Soares. Suas portas, inicialmente abertas no prédio do Grupo "Farias Neves Sobrinho", acolheram uma juventude que ansiava por conhecimento e crescimento pessoal.

A programação da formatura da turma de pioneiros foi repleta de solenidade e emoção: um culto de ação de graças na Igreja Presbiteriana, uma missa na Matriz de Sant’Ana, e, finalmente, a cerimônia de entrega dos certificados no salão nobre da Prefeitura, coroada com um baile no Áero Clube de Catende, ao som de uma animada orquestra. 

A turma de 1957 foi composta por jovens determinados, que abriram caminhos para as gerações futuras: Adhemar da Silva Mendonça, Agenor da Silva Mendonça, Amaro José Soares da Silva, Edgar Bezerra de Morais, Eduardo José Wanderley Rocha, Jaaziel Gonzaga da Silva, João Alves Bezerra, João Rodrigues da Silva, Paulo Rogério de Albuquerque Melo, Jocelino de Sousa Ribeiro Júnior, José Augusto de Albuquerque Maranhão, José Francisco de Lima, Leda de Albuquerque e Silva, Maria América Silva de Mendonça, Maria Consuelo Carneval, Maria Rosa Lins, Milton Luna Feijó de Melo e Vanilde Ferreira de Melo. Cada um desses nomes carregou consigo o orgulho de ser parte de uma história tão significativa.

As homenagens daquele ano ficaram gravadas na memória coletiva de Catende. O Dr. João da Costa Azevedo foi o paraninfo, representando o apoio e a admiração da sociedade. O prefeito José Eugênio Cavalcanti, com seu compromisso visionário, recebeu a Honra ao Mérito. O Professor Edgar Brito de Almeida, diretor do Ginásio, foi o Homenageado de Honra, reconhecido por seu papel de liderança.

Também foram dignamente lembrados Dr. Albérico do Rego Barros, José Soares da Silva e o vereador Pelópidas Soares, além dos dedicados professores Ernesto Carício de Gouveia, Josibias Darcy de Castro Cavalcanti, Mário Alves de Souza Melo, Maria Augusta Wanderley Rocha, Zilda Carneiro Viaro e Teresinha de Jesus Barros Lobo, que dedicaram seus talentos à formação daqueles jovens.

Hoje, ao rememorarmos essa data histórica, homenageamos não apenas os concluintes, mas todos aqueles que acreditaram na força transformadora da educação. O Ginásio Municipal de Catende foi mais do que um espaço de ensino: foi o berço de sonhos, conquistas e valores que ecoam até hoje em nossa comunidade.

Que a memória dessa primeira turma nos inspire a continuar investindo em educação e a celebrar o legado de pioneirismo e dedicação que marcou aquele 22 de dezembro de 1957.

domingo, 11 de agosto de 2024

GINÁSIO MUNICIPAL "JOSÉ EUGÊNIO CAVALCANTI" - 75 anos...

 


Criado em 1949 pela Lei n.º 48, sancionada pelo saudoso prefeito José Eugênio Cavalcanti, o ginásio só tomou forma em 1953, fruto do desejo do prefeito João Calu do Nascimento e dos esforços do vereador Pelópidas Soares. Era um tempo em que a cidade, em plena expansão, clamava por uma continuação gratuita do ensino primário, para as famílias que ansiavam por um futuro melhor para seus filhos.

O corpo docente, composto por professores de renome, como José Estevão de Oliveira e Dr. Ernesto Caricio de Gouveia, foi a alma do ginásio, enchendo de esperança os corações dos alunos. Em 15 de março de 1954, o ginásio abriu oficialmente suas portas, ainda que provisoriamente no prédio do Grupo "Farias Neves Sobrinho", e em dezembro de 1957, viu sua primeira turma de formandos, jovens que carregaram consigo não apenas o conhecimento, mas também o orgulho de terem feito parte de algo grandioso.

Cada nome, cada rosto daquela turma inaugural, ressoa até hoje como um testemunho de tempos que, embora distantes, permanecem vivos na memória de Catende. E como esquecer as figuras homenageadas naquela primeira conclusão? O Dr. João da Costa Azevedo, o prefeito José Eugênio Cavalcanti, o Prof. Edgar Brito de Almeida, entre outros, que com tanto carinho e dedicação, ajudaram a moldar o destino de tantos jovens.

O ginásio, que em 1970 passou a ostentar o nome de José Eugênio Cavalcanti em tributo ao seu visionário idealizador, tornou-se um símbolo de orgulho para a cidade. As cores verde e branco do uniforme, carregadas de significado, e o hino composto por Josibias Darcy de Castro Cavalcanti, continuam a evocar uma época em que a educação era a promessa de um amanhã mais brilhante.

Os primeiros diretores, como Edith Furtado Marinho, Dr. Wilmar Mayrinck, Berla Lima Mayrinck, Edgar Brito de Almeida e Maria Augusta Wanderley Rocha, são lembrados não apenas por sua liderança, mas por terem sido guardiões de um legado que continua a inspirar gerações. Cada detalhe dessa história é uma lembrança doce e nostálgica de um tempo em que o futuro se desenhava com fé e determinação, no coração de uma pequena cidade que acreditava na força transformadora da educação.

Minha jornada no Ginásio iniciou em 1993, quando ingressei na quinta série, sob a direção de Aracy Gama. 

Tive a sorte de participar de momentos únicos. Em 1999, conclui o antigo segundo grau. Foi também nesse ano que tive o privilégio de viver as Bodas de Ouro do ginásio, um evento que celebrou cinco décadas de dedicação à educação. Estava lá como aluno, orgulhoso de fazer parte daquela história.

Agora, ao olhar para trás, percebo o quanto o tempo passou. Hoje, como professor, estou novamente aqui, celebrando as Bodas de Brilhante, 75 anos de uma jornada repleta de conquistas, desafios e, acima de tudo, de um legado que continua a influenciar tantas vidas. Sob a gestão de Denise Figueiredo, sinto-me honrado por contribuir para a continuidade dessa história.

O Ginásio Municipal "José Eugênio Cavalcanti" é mais do que um local de aprendizado; é um símbolo de crescimento e transformação, não só para mim, mas para toda a comunidade de Catende. Celebrar esses 75 anos é reviver cada momento, cada conquista, com uma profunda gratidão e uma nostalgia que aquece o coração.










sexta-feira, 26 de julho de 2024

146ª Festa de Sant'Ana - Catende/PE


Minha ligação com a Paróquia de Sant'Ana

A Festa de Sant'Ana é uma celebração de longa data e profunda importância para a comunidade de Catende. Realizada pela primeira vez em 26 de julho de 1879, a procissão saiu da sede do município, Palmares, e atraiu um grande número de pessoas que acompanharam a imagem de Sant'Ana até Catende, onde inauguraram a pequena capela com uma cerimônia festiva. Esta capela foi uma iniciativa do Capitão Levino Brasiliense do Rego Barros, e mesmo inacabada, foi escolhida para ser inaugurada no dia litúrgico de Sant'Ana pelos habitantes do povoado.

O local da capela foi posteriormente denominado Praça de Sant'Ana. Ao lado, um cemitério foi construído, e depois transferido para o local onde hoje se encontra a Praça Coração Eucarístico, possivelmente após 1884. Em 1916, o Cemitério da Sagrada Família foi inaugurado.

A primeira capela, situada no próspero centro comercial do povoado, foi demolida em 1915. As missas então passaram a ser celebradas na nova capela construída em um terreno doado pelo Engenho Bela Aurora, que pertencia à Empresa Mendes Lima & Cia., proprietária da Usina Catende na época.

Renato Buarque de Macedo, em um trabalho inédito, relata que chovia muito durante o novenário no mês de julho, incluindo o dia da festa. Em uma dessas celebrações, um temporal forçou a procissão a recolher os andores em uma casa particular.

A partir de 1920, o primeiro pároco, Padre Antônio Lagreca, mudou a data da Festa de Sant'Ana para 6 de janeiro, tornando-a conhecida como a tradicional “Festa de Reis de Catende”. Após mais de 80 anos de tradição, em 2003, a festa da padroeira foi novamente transferida para julho, retornando à sua data litúrgica original.

Assim como a maioria dos catendenses, minha história está profundamente entrelaçada com a Paróquia de Sant'Ana. Foi aqui que meus pais uniram suas vidas em matrimônio, assim como meus tios e tias (pelo lado materno). Fui batizado pelas mãos do inesquecível Padre João, e cresci ao lado da minha avó Ana, zeladora do Apostolado da Oração, quando em muitos dias da semana, eu a ajudava a colocar vasos de flores e castiçais nos altares.

Aqui, também recebi minha primeira comunhão, mais uma vez pelas mãos do Padre João. Fui coroinha, servindo com alegria e respeito. O sacramento da Crisma foi celebrado pelo saudoso Dom Acácio.

Minhas filhas, Ana Clara e Ana Luiza, foram batizadas nesta mesma paróquia, pelos queridos padres Euberico e Bráulio, respectivamente. E, finalmente, tive a felicidade de selar meu matrimônio sob a bênção do padre José Luiz.

Cada um desses momentos guarda um pedaço do meu coração, lembranças que me conectam profundamente com esta paróquia que é, e sempre será, um lar espiritual para mim e minha família.

 

segunda-feira, 15 de julho de 2024

Os Ideais

 


Foto disponível na página do Facebook de Marquinhos Cabral, publicada em 30/01/2019.

OS IDEAIS

 

Em um tempo de sonhos e melodias, na pacata cidade de Catende, nasceu um grupo que marcaria a história musical local e o coração de muitos. Formado por crianças na década de 1960, sob a orientação carinhosa da Irmã Bom Conselho, professora do Colégio Santa Terezinha, "Os Ideais" foram os precursores de uma era de encanto e ritmo. Marcos Carneiro Xepa, com carinho e orgulho, os apelidou de "Os Beatles Catendenses", uma homenagem que refletia o impacto e a alegria que traziam em cada acorde. 

Os primeiros anos foram de brincadeiras e descobertas, com Toninho, Davi, Osvaldinho, Zizinho, Carlos Alberto e Nuva dando os primeiros passos na música. Porém, o destino reservava algo maior para esses jovens talentos. Com o tempo, a formação se consolidou: Toninho na guitarra, Davi no baixo, Nerinha na bateria e Ira como vocalista. A primeira apresentação profissional, um mini-baile no Centro Operário de Cultura Leão XIII, marcou o início de uma trajetória memorável. 

O apoio da comunidade foi essencial. Um comerciante local doou um teclado, que Edmar abraçou com maestria, e com a chegada de Joãozinho no piston e Lula no sax, o som dos "Ideais" ganhou novos contornos, mais ricos e envolventes. Bailes, aniversários e festas em diversas cidades pernambucanas e até em Paulo Afonso, na Bahia, se tornaram palco para o talento inquestionável desses jovens músicos. Sob a tutela do empresário catendense Ubirajara, e com Wilamar, o vocalista responsável e protetor dos colegas menores de idade, "Os Ideais" conquistaram corações por onde passaram. 

O brilho do grupo foi tamanho que chegaram a acompanhar grandes nomes da música brasileira, como Fernando Mendes, Roberto Leal, Reginaldo Rossi e Gretchen, em shows memoráveis. No entanto, a vida seguiu seu curso e, em 1975, muitos integrantes se afastaram para seguir seus caminhos profissionais e acadêmicos. Davi, fiel ao legado, manteve o nome "Os Ideais" ao lado de Hélio e depois do seu filho Danilo, até fevereiro de 2024. 

A chama dos "Ideais" nunca se apagou. Na década de 1990, os ex-integrantes reviveram a magia em encontros anuais na véspera do Dia das Mães, um evento que perdurou por 27 anos e foi um verdadeiro sucesso. A formação reunia Nerinha, Toninho, Davi, Edmar, Ira, Wilamar, Lula, Joãozinho e Fernandinho, em uma celebração de amizade, música e saudade. 

Em 2021, o reconhecimento merecido veio através da Lei Municipal nº 1.649, que declarou "Os Ideais" como Patrimônio Cultural Imaterial do Município de Catende, graças ao projeto do vereador Cícero Antonio da Silva (Boreu). 

            Hoje, fazemos um apelo emocionado: que "Os Ideais" voltem a encantar os palcos. Que a música, que um dia uniu esses jovens sonhadores, renasça com a mesma força e alegria. Que os acordes de suas canções voltem a ecoar, trazendo à memória os momentos de felicidade e união que marcaram tantas vidas. Que "Os Ideais" voltem a ser a trilha sonora de Catende, resgatando a essência de uma época inesquecível e perpetuando o legado de amor pela música. Voltem, "Ideais", Catende e o mundo precisam de vocês!


Eduardo Menezes

quarta-feira, 12 de junho de 2024

Filarmônica Catendense

 A história centenária da Filarmônica Catendense e sua evolução até os dias atuais



Crédito da foto: Livro Memória Histórica de Catende. Descrição dos presentes na foto, no final do texto.


De acordo com os escritos do ex-prefeito Renato Buarque de Macedo (1898-1967), no ano de 1893 , foi instalada em Catende uma banda de música, tendo como primeiro presidente o proprietário do engenho Boa Vista, Afonso Freire. Inicialmente chamada de “7 de Setembro”, logo passou a ser denominada “Filarmônica Catendense”.

A edição nº 3 do jornal “O Catendense”, datada de 16 de agosto de 1908, relata a visita da Filarmônica ao povoado de Ribeirão (hoje, município). O seu diretor era Sylvio Floresta, tendo como patrono o ilustre músico brasileiro Carlos Gomes.

A Filarmônica Catendense era formada por músicos e jovens catendenses e mantida pelos proprietários de engenhos, comerciantes e funcionários da Usina Catende, apresentando-se nas festividades da Usina, eventos cívicos, aniversários dos sócios, batizados e casamentos.

Passaram como maestros João Sales e André Coelho, até que a banda entrou em um período de inatividade, devido à falta de componentes, uma vez que muitos de seus integrantes foram residir fora de Catende.

Foi então que em 1921, José Soares da Silva, contador da Usina Catende, José Lourenço Rodrigues, farmacêutico e Clóvis Carvalho, jornalista e irmão de Hermilo Borba Filho, conseguiram reorganizar a Filarmônica Catendense.

Em 1922, foi contratado para ser maestro da Filarmônica o famoso músico pernambucano “Felinho”, que permaneceu no cargo até 1931. Foi nesse período, em Catende, que ele compôs o clássico do frevo pernambucano “Formigão”. Adquiriu-se um novo fardamento e novos instrumentos, bem como alguns músicos foram trabalhar na Usina por intermédio de José Soares. Sob a gerência de Álvaro do Rego Barros e com o auxílio da Usina Catende, do proprietário do Engenho Curupaity e outros cidadãos, foi construída uma sede própria em um terreno cedido por Álvaro Valença, na Rua João Pessoa, sendo inaugurada no dia 8 de setembro de 1925, época em que foi considerada a melhor banda de música do interior do Estado.

Em 1934, assumiu a presidência Ismael Silva, conhecido como Sr. Santino, que comprou novos instrumentos em São Paulo, e o maestro Antônio Araújo, sucedido por José da Justa, sendo ele o último maestro da Filarmônica Catendense.

Após passar por mais um período de inatividade, o então prefeito Fernando Barros percebendo a necessidade de uma banda de música, organizou em 1973 a Sociedade Musical 11 de Setembro, tendo como presidente José Rufino da Silva, conhecido como “Zuza Pintado”, e maestro “Dudinha. Faziam parte da Banda de Música 11 de Setembro músicos remanescentes da Filarmônica Catendense.

Novamente desativada em 1980, a banda de música voltou a ser organizada em 1983 pelo prefeito da época Odorico Lobo Freire Júnior, em convênio com a Prefeitura, sendo maestro Luiz Alves Cansanção, antigo membro da Filarmônica.

Em meados da década de 2000, a banda voltou a ser desativada.

Recentemente, em 2020, alguns ex-integrantes, liderados por Eli Sandro Telles Laurentino, resolveram dar nova vida à banda, mas, por inviabilidade jurídica e fiscal, registraram uma nova banda denominada Centro Catendense de Artes Musicais Maestro Luiz Alves Cansanção.

A “Banda Musical Luiz Alves Cansanção” é portanto a continuação legítima da centenária Filarmônica Catendense, fundada em 1893 e que neste ano completa 131 anos levando a arte da música para além do município de Catende.


Foto: 

De pé, no primeiro plano, da esquerda para a direita: Otávio Rodolfo, Moises Delmiro, Cícero Cordeiro, Antônio Lourenço e Antônio Francisco; no segundo plano: Benedito Alvesm Luiz Pereira, José Pereira, Luiz de França, Sebastião Porto e Deocleciano Francisco; no terceiro plano: Maestro Aureliano Brito, Salustiano Urbano, Gerson Pereira, Narciso Pinheiro, Arthur Cosme, João Ferreira, Walfredo Bezerra e Antonio Cunha (Presidente).

domingo, 21 de abril de 2024

Centenário do Padre João

           


            Catende, tem uma tradição de não celebrar seus acontecimentos, e hoje, dia 21 de abril de 2024, centenário de nasicmento do nosso saudoso Padre João, deixo aqui o registro do centenário do seu nascimento. Foi ele, que, celebrou  o casamento dos meus pais, meu batismo e primeira comunhão, Padre João, juntamente com Padre André. são pessoas que devem ser lembradas para sempre no nosso município.

            JOÃO ANTÔNIO MARIA SCHIJLEN, SCJ, nasceu no dia 21 de abril de 1924, na cidade de Maastricht, Holanda. Ele foi o segundo de 17 filhos. Teve contato com os sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus, quando era coroinha. Em setembro de 1936, foi para o Seminário Cristo Rei, em Helmond, Holanda. Proferiu seus primeiros votos religiosos no dia 17 de outubro de 1947, em Loppem, Bélgica. Estudou Filosofia em Leuven, Bélgica e Teologia em Camaragibe, Pernambuco.

Foi ordenado no dia 28 de novembro de 1954, pelas mãos de Dom Antônio de Almeida Morais Júnior, então Arcebispo de Olinda e Recife. No dia 4 de dezembro de 1955, celebrou sua primeira missa com sua família em Maastricht. Retornando ao Brasil, foi para Maceió, Alagoas, onde permaneceu de 1956 a 1960. Depois foi para Rio Tinto, Paraíba, de 1960 a 1963, quando chegou à Catende em dezembro daquele ano. Tomando em posse no dia 9 de março de 1965. Também foi professor de Francês e Latim, no Colégio Santa Teresinha.

            Em 28 de novembro de 1970, recebeu o título de cidadão honorário de Catende, proposto pelo vereador Irapoan José Soares. Padre João ficou a frente dos serviços religiosos até o dia 1º de março de 2001. Durante seu paroquiato, foi dedicado as associações religiosas, principalmente à Legião de Maria e ao Apostolado da Oração. Saindo de Catende, ficou dois anos em Camaragibe, retornando à Holanda em 2003. Em janeiro de 2007, seguiu para a cidade de Asten, onde faleceu no dia 2 de agosto de 2016.

quarta-feira, 20 de março de 2024

Há 74 anos caía o Jequitibá Pernambucano...

 











ANTÔNIO FERREIRA DA COSTA AZEVEDO (Tenente) – Nasceu no Engenho Trapuá, em Nazaré da Mata, no dia 16 de fevereiro de 1882. Filho de Domingos Ferreira de Souza Azevedo e de Josefa Maria de Souza Azevedo. Casou-se em 1904, com Ana Malta da Costa Azevedo, com quem teve sete filhos: João da Costa Azevedo, Maria José de Azevedo Chaves, Domingos da Costa Azevedo, Maria Dolores de Azevedo Moura, Maria Amélia (estes três últimos, nasceram de parto trigêmeo, sendo que Maria Amélia faleceu), Juraci Azevedo da Costa Azevedo Figueiredo, Helena Azevedo de Brito Passos e Pedro da Costa Azevedo.

            Passou parte de sua infância no Engenho onde nasceu. Desde pequeno, recebeu o apelido de “Tenente” (quando criança, nas brincadeiras, só queria ser Tenente). Pouco se importava com os estudos, e, imediatamente deixou o colégio, para assumir a função de encarregado, no Engenho do seu pai aos quatorze anos. Logo arrendou o Engenho Diamante (1900), do seu cunhado e primo, João Antônio da Costa Azevedo, onde safrejou por oito anos. Depois, arrendou o Engenho Camarazal, onde permaneceu até 1913. Com as economias que fizera em Camarazal, comprou o Engenho Utinga, pertencente ao município de São Lourenço da Mata/PE, cheio de matas, onde, durante quatro anos forneceu lenhas a “Great Western”. Com os lucros dessa atividade, logo comprou o Engenho Rodízio, e começou a fornecer canas à Usina Mussurepe.

            Em 1917, vendeu o Engenho Rodízio e comprou a Usina Santa Rita (antiga Cumbe), na Paraíba, por 480 contos e fazia dois anos que não moía devido a uma enchente. Reformou a Usina, ampliou o plantio de cana, drenou áreas encharcadas e aparelhou toda a Usina, moendo, com sucesso, durante cinco anos. Nesse período, aumentou as linhas férreas, comprou locomotivas e fez outros melhoramentos. Vendeu a Usina Santa Rita por 2 mil contos, para voltar para Pernambuco, quando comprou, em sociedade, a Usina Catende. Chegoua Catende, em 29 de agosto de 1920, em 1927 tornou-se o único proprietário da maior Usina da América do Sul. O Tenente passou a ser o grande benfeitor e amigo da pequena Vila. Idealizou a construção de uma usina hidrelétrica, que passou a fornecer eletricidade para as casas dos funcionários residentes na Vila, passando a ter energia 24 horas, quando, pela termelétrica existente, eram, apenas, cinco horas por dia. Anualmente, após o balanço, distribuía uma gratificação aos funcionários. Criou, em Catende, uma espécie de casa da moeda, passando a imprimir “dinheiro”, em cédula de diversas cores, no valor de 200, 500, 1000 e 2000 réis, o “Gabão”, como era conhecido, era recebido em preferência ao dinheiro nacional.

Ao saber que muitos de seus funcionários não eram casados na Igreja, mandava realizar casamentos coletivos no pátio da Usina. A partir de 1926, mandou demolir a velha Rua do Triângulo, na Vila Operária, com 39 casas de taipa, e, em substituição, mandou edificar a Rua Siqueira Neto, com 31 casas, e, a Rua 30 de Março, com 21 casas, todas de alvenaria. Em seguida, mandou demolir as velhas Ruas da Levada e do Coqueiro, construindo as Ruas Maximiano Germano de Souza e Augusto Antônio, ambas com 20 casas, cada uma. Depois, no lugar da Rua do Cercado, que tinha 10 casas, construiu a Rua Francisco Ferreira, com 20 casas. Mais tarde, outras ruas foram construídas: Antônio Porto, com 20 casas; Vila Engenheiro Molin, com 90 casas; Rua do China, com 15 casas, em substituição às Ruas do Limão e do Zinco, com 15 casas cada uma. Também, mandou construir diversas casas para os empregados e o prédio da Prefeitura, com o qual gastou, Cr$ 120.000,00; sem levar em conta o material empregado, fazendo doação ao Município. Construiu, também, a Policlínica “Gouveia de Barros”, o Lactário, Postos de Puericultura, Postos de Saúde, nos engenhos; o Núcleo dos Escoteiros, distribuição de gêneros alimentícios aos trabalhadores, pelo preço de custo (SODECO), as sedes do Aero Clube (Catende Clube) e do Centro Operário de Cultura “Leão XIII”, como, também, reformou e ampliou a antiga Capela de Santana, construiu e doou o prédio do Colégio “Santa Teresinha”.

            Sempre preocupado com a assistência social, dedicou especial atenção aos Ensinos Primário e Profissionalizante, preparando aqueles que seriam seus futuros operários. Construiu o Grupo Escolar “Herculano Bandeira”, no centro da Cidade, e as seguintes escolas: “Amauri de Medeiros”, no Engenho Ouricuri; “Rui Barbosa”, no Engenho “Bomborel”; “José Mariano”, no Engenho Bálsamo; “Marcílio Dias”, no Engenho Campinas; “Manoel Borba”, no Engenho Capricho; “Dantas Barreto”, no Engenho Curupaiti; “Martins Júnior”, no Engenho Souza; “José Maria”, no Engenho Venturoso; “Manoel Pinheiro”, no Engenho Espírito Santo; “Joaquim Nabuco”, no Engenho Planqueta; “Oliveira Lima”, no Engenho Piragibe; “José Bezerra”, no Engenho Santa Cruz; “Barbosa Lima”, no Engenho Tabaiaré.

Tenente também batalhou em defesa dos operários e dos trabalhadores rurais da Usina Catende. Quando, na época, existia, na zona rural, o famoso “barracão”, que vendia as mercadorias ruins por um preço alto, teve a iniciativa de impedir esse abuso contra o trabalhador, criando um Departamento Comercial, na Usina, com a finalidade de oferecer produtos de boa qualidade e com preços mais baixos para os operários. O lucro obtido pelo Departamento Comercial era destinado às obras sociais mantidas pela Usina.

            Costa Azevedo foi, ainda, o organizador da Sociedade Nordestina de Comércio Ltda, das Novas Indústrias Olinda S.A. e Fazendas Reunidas “Santa Helena”, todas em Pernambuco, como, também, a Sociedade Agropecuária Tamburi, na Bahia, além de outros empreendimentos. Quando o “Tenente” adoeceu, em homenagem ao seu benfeitor, Catende não festejou o carnaval de 1950. E, na madrugada do dia 20 de março do mesmo ano, faleceu em sua residência, à Avenida Rosa e Silva, na capital do Estado de Pernambuco.


Fonte: Livro "Memória Histórica de Catende".

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

A Mulher da Sombrinha e Outros

 BLOCO A MULHER DA SOMBRINHA



Funcionários da Loja do Sr. Benjamim
Foto: https://www.facebook.com/photo/?fbid=7141261259286975&set=g.396483865077603

                O bloco teve origem baseado na lenda que uma jovem loira, muito bonita, vestida de branco e, com uma sombrinha na mão, andava pelas ruas da pequena Catende. Esperando os operários da Usina Catende quando largavam do turno da meia-noite, e ao vê-la, os mesmos eram seduzidos e tentavam acompanhá-la. Mas chegando ao portão do cemitério, a mulher desaparecia. Segundo o ex-prefeito Renato Buarque de Macedo, este fato teria ocorrido com um antigo ferreiro da Usina Catende, José Leandro, durante muitos anos, foi o terror dos operários.

            Nos dias que atenceram o carnaval de 1983, o grupo de amigos, liderado por Jorge Benjamim, resolveram transformar a lenda em uma brincadeira para a folia momesca daquele ano. Na confecção da primeira boneca d’A Mulher da Sombrinha, foi utilizado um mamão verde com uma vela acesa dentro, para dar forma à cabeça e uma estrutura de madeira em forma de cruz para dar forma ao corpo, onde foram usados meiões para fazer os braços. Quem primeiro carregou a boneca, nos primeiros anos do bloco, foi Tomires, escolhido após um sorteio (onde todos os papéis constavam seu nome). E foi assim que saiu do dia 11 para 12 de fevereiro, da Rua Pedro Cássio, próximo ao Colégio “Mendo Sampaio”, a primeira Mulher da Sombrinha, com seus fundadores: Jorge, Tomires, Fi, Vinho e Inácio e um grupo de aproximadamente dezoito pessoas, puxado por uma "orquestra" com três componentes: José Vicente no pistão, Bili no surdo e Nerinha no tarol. Por um tempo, o bloco passou a sair de dentro do Cemitério “Sagrada Família”.

Com o passar dos anos, o governo municipal vendo o sucesso que o Bloco conseguiu alcançar, principalmente no setor do turismo, resolveu assumir a responsabilidade do evento, inclusive colocando no calendário turístico da Cidade. Hoje, sai à meia-noite do SAAE, Rua Joaquim de Lima (ao lado do cemitério), no sábado que antecede o carnaval, percorrendo as principais ruas da Cidade. Acompanhado por pequenos blocos, troças, orquestras de frevo e trios elétricos, ao som de hino próprio, composto pelo cantor e compositor Marcos Catende. 

Como toda boneca gigante que se preze, “A Mulher da Sombrinha” também tem seu parceiro para participar da folia, o boneco do operário, representando os operários da Usina Catende. Apesar de não possuir uma sede, estatuto ou registro em cartório, é, hoje, a maior atração turística da Cidade, conseguindo atrair milhares de pessoas. Sendo reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado de Pernambuco, reconhecido através do Projeto de Lei apresentado pelo ex-deputado estadual, Henrique Queiroz, resultando na Lei Estadual nº 13.840/2009 de 14 de agosto de 2009, sancionada pelo Governador Eduardo Campos.


CAPITÃO ZUZINHA

        O dia 9 de fevereiro é considerado o dia do frevo, pois foi nesse dia que pela primeira vez apareceu a palavra frevo na imprensa, pelo Jornal Pequeno do Recife, em 1907.
        Porém uma curiosidade, deve ser observada, um dos nomes mais importantes da história do frevo, foi o catendense "Capitão Zuzinha", José Lourenço da Silva, nascido no dia 10 de fevereiro de 1889, em Catende. Ele contribuiu com a transformação do gênero musical de maior expressão cultural de Pernambuco.
        Segundo o jornalista Mário Melo, foi o Capitão Zuzinha quem construiu a passagem da marcha polca para a marcha frevo, sendo ele considerado o PAI DO FREVO.




BLOCO A FILOPANÇA.

Foto: https://www.facebook.com/photo?fbid=985582774854885&set=a.985582761521553

        Se estivesse em atividade, A Filopança, estaria completando em 2024, 90 anos de fundação. Mas, infelizmente, assim como outros blocos catendenses, foi adormecido.
Surgido no carnaval de 1934, por um grupo de rapazes que reuniram-se no Castelo (prédio onde funcionou a Caixa Econômica Federal), à Rua Bela Aurora, onde moravam em “república”, saindo em direção à casa de José Soares, com o objetivo de comer filhó (bolo de farinha de trigo, com cobertura de açúcar).
        José de Almeida Lins, mais conhecido como "Zeca Lins", que na época fazia pouco tempo que tinha chegado a Catende, e na cidade onde morava antes, também existia uma troça que saía com a finalidade de “comer filhó e encher a pança” nas casas amigas, sugeriu que a junção das palavras filhó com pança, “filhopança”, desse nome ao novo bloco, que, para soar melhor, foi denominado Filopança
        Teve, como fundadores, Zeca Lins, Jocelino Ribeiro, Jacques Gonçalves, Samuel Lira, Aristóteles Soares, Pitágoras Soares, Pelópidas Soares, Paulo Lobo e Renato Cunha. Durante vários, anos a “Filopança” abriu a semana pré-carnavalesca de Catende, inicialmente desfilava nas quintas-feiras que antecediam o carnaval, visitando diversas casas da Cidade.
        Posteriormente com seus encapuzados, trajando mortalhas, desfilava pelas principais ruas de Catende, exibindo placas de protestos e piadas satirizando os acontecimentos culturais, sociais e políticos do Município. 
        Depois de alguns anos sem desfilar, a Filopança, voltou em 2009, com organização de Sebastião Luiz da Silva (Tião da Caverna) que estava à frente do Bloco desde 1990. No ano de 2011, o estandarte da Filopança, foi confeccionado e doado por Maria Lindinalva da Silva. Sua última edição foi em 2014.