Construída pelo
inglês Carlos Sinden, em sociedade com seu sogro,
Felipe Paes de Oliveira, ambos
proprietários do Engenho Catende e outros engenhos da região. A usina teve como
nome inicial, “Usina Correia da Silva”, em homenagem a José Antônio Correia da
Silva, que assumiu o governo de Pernambuco em 23 de outubro de 1890. À Usina Catende, foram incorporados os Engenhos Catende, Ouricuri e Niterói, pertencentes a Felipe Paes de Oliveira, e Monte Alegre, Granito, Permanente, Bela Aurora, Gameleira, Gameleirinha e Barro Vermelho, que eram de propriedades de Carlos Sinden.
Quando teve início a
assinatura de decretos para concessão de empréstimos, tendo, como objetivo, a
fundação de usinas, um desses documentos, assinado em 24 de março de 1891, foi
outorgado à Usina Catende, que estava em construção. Com
contrato lavrado, no Tesouro, em 3 de abril do mesmo ano, foi concedido empréstimo,
em apólices de emissão especial, para fundação de engenhos-centrais, a juros de
7% ao ano, no valor de 250.000$000 (duzentos e cinquenta contos de réis).
A Usina Catende teve a sua
primeira moagem no dia 2 de setembro de 1892, quando suas ferragens foram
bentas pelo Pe. Sebastião Bastos (Vigário de Palmares).
O nome “Correia da Silva”, assim como a Usina não tiveram sucesso, sendo esta sempre chamada pelo nome de Catende, devido ao nome do Engenho onde foi montada. Naquela época, dentre as usinas enumeradas pelo Estado de Pernambuco, deixaram de cumprir com seus compromissos as seguintes Usinas: Coelho, Lustosa, Guerra e Correia da Silva. Mas, as garantias cobriam o valor dos débitos. Em pouco tempo, a
Usina se mostrou um verdadeiro fracasso, obrigando os seus fundadores a
entregá-la aos credores, tendo, o Banco de Pernambuco, como o seu maior credor.
Em 1896 a Usina foi adquirida por Joaquim José Coimbra. Em 1905, passa a ser
propriedade da firma “Mendes Lima & Cia”, representada por Joaquim Lima de
Amorim, que, em 1912, a
reformou completamente, elevando a capacidade de moagem de 200 para 1.000
toneladas diárias. Para o transporte da matéria-prima, existiam cerca de 16 km de via férrea, servida
por três locomotivas.
O grupo “Mendes Lima & Cia” era formado por
comerciantes, e só lhes interessava vender o açúcar e não fabricá-lo. Então,
negociaram com um grupo de usineiros, sendo a Usina adquirida por “Costa,
Bandeira & Cia.”, firma que faziam parte: “Herculano Bandeira & Cia”
(proprietários da Usina Mussurepe); “Bandeira & Irmãos” (proprietários da
Usina São José); “Oliveira & Irmão” (consignatária de açúcar de várias
usinas de Pernambuco); e “A. F. da Costa Azevedo”. Para dirigir a Usina, foi
escolhido Antônio Ferreira da Costa Azevedo, proprietário, na época da Usina
Santa Rita, na Paraíba.
Em 1923,
com a saída da primeira firma da sociedade, continuaram as duas últimas, com a
razão social de “Costa Oliveira & Irmão”, em 4 de março de 1927, o Tenente
adquiriu a parte dos demais sócios e assumiu sozinho a direção da Empresa, sob
a firma “A. F. da Costa Azevedo”, tornando-se, assim, o único proprietário da
Usina Catende. Foi aí que começou a era de renovação e progresso da Usina
Catende.
Em 1929, a
Usina passou a ser considerada a maior do Brasil, em produção e capacidade,
possuindo 43 propriedades agrícolas, uma via férrea de 140 Km, 11 locomotivas e 266
vagões. Em setembro de 1933, surgiu a sociedade anônima formada em família,
Usina Catende S.A. Seu sistema
técnico administrativo foi uma verdadeira revolução em toda a zona canavieira
da mata sul de Pernambuco, o que fez várias usinas de açúcar tentarem implantar
seu sistema.
A maioria dos gerentes das
usinas procurava Ismael Silva (Sr. Santino), em busca de informações,
principalmente do sistema de irrigação. Nas
terras da Usina, foi construída uma usina hidrelétrica, projetada por
Apolônio Sales (que, depois de trabalhar em Catende, foi Secretário de
Agricultura de Pernambuco, Ministro da Agricultura do Governo Vargas e
engenheiro da Barragem de Paulo Afonso), a fim de garantir a energia para a Usina. A Usina tinha 3 ternos de
moendas Fletecher, que foi complementada, em 1948, com mais 2 ternos, movidos
com máquinas a vapor, transformando-se, na época, nas maiores moendas do parque
açucareiro nacional. A partir daí, a Usina Catende sempre se manteve como a de
maior safra do país.
Foi, também, a Catende quem implantou a primeira
destilaria de álcool anidro do Brasil, em 1936, construída sob a supervisão do
químico Brito Passos.
Após a
morte de Antônio Ferreira da Costa Azevedo, em 1950, a Usina Catende
possuía uma capacidade industrial para fabricação de 1 milhão de sacos de
açúcar, uma destilaria de álcool anidro, 36 mil hectares de terra, 165 Km de estradas de ferro,
25 locomotivas a vapor e 82 engenhos de cana de açúcar. Assumiu a direção, o
seu filho mais velho, João da Costa Azevedo, sendo, depois, eleito Presidente
da empresa, permanecendo até maio de 1965, quando renunciou à presidência da
sociedade. Foi durante sua gestão que a Usina Catende absorveu a Usina Piranji
e seus dez engenhos. Na safra de 1950/51, a Usina Catende produziu 642.857
sacos, sendo a maior produção do Estado. Na safra de 1955/56, produziu 866.277
sacos.
De 1950
até 1959, a
Usina Catende sofreu as mais radicais reformas, pois quase toda sua ferragem
antiga foi substituída por ferragem nova. Conseguindo quase dobrar a produção
de açúcar e quase triplicar a produção de álcool, pois a antiga destilaria foi
reformada e ampliada, suas dornas de fermentação foram substituídas por novas
unidades. Com suas oficinas mecânicas, a Usina tornou-se, praticamente, autossuficiente
no suprimento de peças mecânicas das mais variadas, também uma nova e moderna
fundição, onde até os tambores de moenda que, a cada dois anos precisavam ser
substituídos, eram ali mesmo fundidos, e, em seguida, usinados e eixados. Outra
oficina cuidava em atender o material ferroviário da Usina: locomotivas, carros
de transporte de cana, carros de inspeção da linha férrea e os da
administração. A oficina principal, chamada de oficina geral, servia aos
trabalhos de reforma e de manutenção da Usina.
Na safra
de 1960/61, sua produção de açúcar subiu para 937.508 sacos. Continuando, ainda,
como a maior de Pernambuco. Na safra 1965/66, a Usina produziu 871.688 sacos. A
Usina Catende perdeu a primeira colocação em produção de açúcar na safra
1969/70, quando a Central de Barreiros produziu 1.000.833 sacos, enquanto a
Catende produziu 955.502 sacos. Na safra de 1970/71, a Usina Catende produziu
915.451 sacos, vencendo a Central de Barreiros por uma margem de 49 sacos,
voltando a ocupar o primeiro lugar.
Em julho de 1973, a Usina foi adquirida
por um grupo formado por Rui Carneiro da Cunha (coproprietário da Usina
Massauassu), Alfredo Maurício de Lima Fernandes (representando os acionistas
que estavam negociando a Usina Mussurepe) e Mário Pinto Campos (representante
do Sindicato dos Produtores de Açúcar e Álcool de Pernambuco). Este último,
alguns anos depois, vendeu sua parte, na sociedade para Inaldo Pereira Guerra
(comerciante de açúcar em Recife e criador de gado no Município de Gravatá).
Sob a
nova direção, a Usina Catende, na safra de 1975/76, produziu 966.550 sacos de
açúcar; cinco anos depois, na safra 1980/81, a Usina atingiu a produção de
1.334.130 sacos. Na safra 1983/84, a Usina produziu 1.555.220 sacos. Acima de 1
milhão de sacos de açúcar, 16 usinas ultrapassaram esse nível de produção,
sendo que, acima da Usina Catende, se classificaram a Usina Pumaty, com
1.888.100; Petribú, com 1.761.238; Trapiche, com 1.732.361; Olho d’Água, com
1.649.143 sacos; e Cucaú, com 1.569.230.
Assim como várias usinas do
Nordeste, a Catende entrou em crise, junto com o fracasso do Pró-álcool e o fechamento
do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), no final da década de 1980. A situação se agravou
em 1993, quando foram demitidos 2.300 trabalhadores dos engenhos. Antes disso, a
Usina Catende tinha mudado sua razão social para Companhia Industrial do Nordeste
Brasileiro. Continuando a pertencer ao mesmo grupo, tendo, como
Diretores-Presidentes Rui Carneiro Cunha, Inaldo Pereira Guerra e Maurício
Fernandes; e, como superintendente, Raul Bandeira Fernandes, Diretores-Adjuntos
Marcelo de Holanda Guerra, Ricardo de Holanda Guerra, José Henrique Carneiro da
Cunha e José Maurício Carneiro da Cunha.
Em 17 de maio de 1995, os
trabalhadores solicitaram a falência da Usina. “A falência foi motivada pelas
dívidas que a empresa vinha acumulando. Só com tributos federais, estaduais,
INSS, FGTS, Banco do Brasil e fornecedores, eram R$ 660 milhões. O passivo
trabalhista chegou a R$ 550 milhões. Enquanto isso, o patrimônio da Usina só
chegava a R$ 60 milhões.” Os trabalhadores pediram a falência com o objetivo de
retirar o controle administrativo dos usineiros, alegando que os mesmos estavam destruindo o patrimônio da Usina.
O Banco do Brasil, como maior credor, passou
a administrar a massa falida, nomeando o Sr. Mário Borba como síndico.
Mas, em pouco tempo, o Banco resolveu renunciar. Mário Borba continuou como
síndico, desta vez, nomeado pela Justiça e indicado pelos trabalhadores.
Em 1998, foi criada a
Companhia Agrícola Harmonia, hoje denominada “Catende Harmonia”, que, apesar de
ter estatuto, ata e registro na Junta Comercial, continuou, apenas, no papel,
para, quando fosse encerrado o processo de falência, a Justiça passou o
patrimônio à Companhia. Porém, era esta empresa que vinha administrando a
Usina. Seu patrimônio envolvia um parque industrial; uma hidroelétrica que gera
energia própria; uma olaria; uma marcenaria; 48 engenhos; um hospital; sete
açudes e canais de irrigação; 26 mil hectares de terras; uma frota de veículos
e implementos, entre tratores, caminhões e enchedeiras; rede ferroviária, à
margem da empresa; e uma bacia hidrográfica, com vários rios perenes.
“Os trabalhadores e a
administração judicial concluíram a primeira safra superavitária depois da
falência, após anos de sacrifícios e dificuldades, em 1999.” Ainda em 1999, a Usina ganhou o
“Prêmio Abrinq”, por ter erradicado o trabalho infantil de suas terras. “A
safra de 1999/2000, fechou sem dívida e com estoque de 180 mil sacos de
açúcar.” A enchente que castigou a Mata Sul, em agosto de 2000, destruiu
máquinas e equipamentos da Usina. Em 2002, a Usina sofreu novo prejuízo, desta vez
vítima de um incêndio, causado por um curto-circuito. Cerca de 300
trabalhadores que estavam na Usina iniciaram o controle do fogo. As chamas
foram apagadas duas horas e meia depois, com a ajuda de 14 homens do Corpo de
Bombeiros e dois helicópteros (um dos bombeiros e, outro, da Secretaria de
Defesa Social). Foram usados mais de 20 mil litros de água. O fogo destruiu um
galpão de 600
metros quadrados, onde estavam quatro geradores.
As dificuldades financeiras,
agravadas pela enchente e o incêndio, que juntos deram um prejuízo de,
aproximadamente, R$ 11 milhões, fizeram com que a Usina vendesse o açúcar,
antecipadamente, aos intermediários (perdendo de 5 a R$ 6 milhões por safra). Em
2002, receberam R$ 17,00, por saca, que entregaram quando o preço de mercado
chegou a R$ 53,00. Também foi síndico da Usina Catende, Marivaldo da Silva
Andrade, Carlos Antônio Fernandes Ferreira e o atual é José Luiz Lindoso da
Silva.
Com as enchentes que atingiram
a Mata Sul do Estado de Pernambuco, nos anos de 2010 e 2011, a Usina Catende,
também foi vítima da inundação.
Hoje, restam apenas as duas chaminés daquela que já foi a maior usina da América Latina.
No passado, com o desenvolvimento de Catende, logo se fez
necessária a construção de um novo e moderno Cine Teatro. E foi assim que, no
dia 2 de setembro de 1958, foi inaugurado, pela Usina Catende S.A., o “Cine
Teatro Diamante”, que recebeu este nome em homenagem ao engenho onde o Sr.
Antonio Ferreira da Costa Azevedo, iniciou suas atividades profissionais e local de nascimento do seu
primeiro filho, João da Costa Azevedo, também primeiro prefeito de Catende. Construído na Praça Costa Azevedo, no local do antigo Catende Hotel, com capacidade para 1.321 espectadores, era equipado com projetores de última
geração, importados da Holanda.
No dia
de sua inauguração, foi exibido o filme “Melodia Imortal”. Tinha uma média anual
de 120 sessões e 46.010 espectadores.
Foi desativado na década de 1980.
No dia 27 de novembro de 2000, pela
Lei Municipal n. 1.348/2000, o antigo Cine Teatro Diamante, ficou denominado de
Centro de Cultura “Romeu Afonso Medeiros”.