Minha ligação com a Paróquia de Sant'Ana
A Festa de Sant'Ana é uma celebração de longa data e profunda importância para a comunidade de Catende. Realizada pela primeira vez em 26 de julho de 1879, a procissão saiu da sede do município, Palmares, e atraiu um grande número de pessoas que acompanharam a imagem de Sant'Ana até Catende, onde inauguraram a pequena capela com uma cerimônia festiva. Esta capela foi uma iniciativa do Capitão Levino Brasiliense do Rego Barros, e mesmo inacabada, foi escolhida para ser inaugurada no dia litúrgico de Sant'Ana pelos habitantes do povoado.
O local da capela foi posteriormente denominado Praça de Sant'Ana. Ao lado, um cemitério foi construído, e depois transferido para o local onde hoje se encontra a Praça Coração Eucarístico, possivelmente após 1884. Em 1916, o Cemitério da Sagrada Família foi inaugurado.
A primeira capela, situada no próspero centro comercial do povoado, foi demolida em 1915. As missas então passaram a ser celebradas na nova capela construída em um terreno doado pelo Engenho Bela Aurora, que pertencia à Empresa Mendes Lima & Cia., proprietária da Usina Catende na época.
Renato Buarque de Macedo, em um trabalho inédito, relata que chovia muito durante o novenário no mês de julho, incluindo o dia da festa. Em uma dessas celebrações, um temporal forçou a procissão a recolher os andores em uma casa particular.
A partir de 1920, o primeiro pároco, Padre Antônio Lagreca, mudou a data da Festa de Sant'Ana para 6 de janeiro, tornando-a conhecida como a tradicional “Festa de Reis de Catende”. Após mais de 80 anos de tradição, em 2003, a festa da padroeira foi novamente transferida para julho, retornando à sua data litúrgica original.
Assim como a maioria dos catendenses, minha história está profundamente entrelaçada com a Paróquia de Sant'Ana. Foi aqui que meus pais uniram suas vidas em matrimônio, assim como meus tios e tias (pelo lado materno). Fui batizado pelas mãos do inesquecível Padre João, e cresci ao lado da minha avó Ana, zeladora do Apostolado da Oração, quando em muitos dias da semana, eu a ajudava a colocar vasos de flores e castiçais nos altares.
Aqui, também recebi minha primeira comunhão, mais uma vez pelas mãos do Padre João. Fui coroinha, servindo com alegria e respeito. O sacramento da Crisma foi celebrado pelo saudoso Dom Acácio.
Minhas filhas, Ana Clara e Ana Luiza, foram batizadas nesta mesma paróquia, pelos queridos padres Euberico e Bráulio, respectivamente. E, finalmente, tive a felicidade de selar meu matrimônio sob a bênção do padre José Luiz.
Cada um desses momentos guarda um pedaço do meu coração, lembranças que me conectam profundamente com esta paróquia que é, e sempre será, um lar espiritual para mim e minha família.

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